O ator brasileiro que mais filmes participou, marcando uma época pelos seus comentários machistas, o ex -”cafajeste” e agora pastor da Assembléia de Deus do Bom Retiro (São Paulo), Jece Valadão, mostrou que realmente foi transformado pelo poder de Deus dando um impressionante testemunho da mudança que Jesus operou em sua vida.

É muito difícil fazer de um homem que se julga o mais completo e privilegiado do mundo uma criatura humilde. A história de Jece Valadão tem provocado um verdadeiro furacão em todos os meios, e é apenas uma pequena porção dela que vamos narrar...

Resumindo minha personalidade e caráter, posso dizer que eu era um homem que me bastava.

Vencedor na carreira artística, sempre tive tudo quanto imaginei que me traria felicidade: dinheiro à vontade, viagens pelo mundo inteiro, uma filmografia invejável em qualquer parte do mundo, sobretudo no Brasil, num total de 106 filmes, além de 50 peças teatrais e uma atuação marcante na televisão. Casado cinco vezes, tive as mulheres mais lindas do Brasil, e uma família normalíssima, composta de nove filhos e três netos.

Sendo tão auto-suficiente, não me importava com Deus, nem acreditava em Jesus ou no diabo. Considerava Jesus um extraterrestre dotado de conhecimento e cultura muito superiores aos nossos, e que pousara na Terra há 2.000 anos, numa nave espacial, tendo feito mágicas e coisas surpreendentes, sendo em razão disso transformado em Deus, por um povo ingênuo e ignorante. Quanto a Deus, era para mim um ser tão distante e inacessível, que não provocava em mim o menor interesse. Quanto ao diabo, não me dizia nada: a meu ver não passava de fruto da imaginação e da fraqueza humana.

Eu era tão auto-suficiente, que não via razão nenhuma para almejar outra espécie de vida. Vivia sobre o tripé sexo, amor e dinheiro, cheio de empáfia, repleto de alegria de viver. E se alguém julgar que lá no íntimo sentia um grande vazio, engana-se: isso não acontecia comigo! Só que eu ignorava que havia alguém mais poderoso que eu, e que resolveria mudar radicalmente a minha vida - querendo eu, ou não querendo...

Como não acreditava em Deus nem no diabo, para este a situação era muito cômoda. Se por um lado descria dele, por outro lhe regalava gols homéricos, com os personagens que criava no cinema, no teatro e na televisão, e a filosofia completamente incompatível com a graça de Deus. O terrível é que com essa atitude eu ia rapidamente formando uma legião de admiradores no Brasil inteiro.

Encontrava-me um dia no meu escritório - era o quinto dia útil do mês, 9h30 -, quando o telefone toca e minha secretária me diz: "Seu Jece, D. Vera Giménez". A Vera Giménez, essa criatura maravilhosa, linda, que hoje amo muito, foi minha quarta mulher, e com ela tenho um filho de 18 anos. Ela era a única pessoa com quem me atritava, a única de quem não suportava ouvir a voz, o mesmo lhe acontecendo com respeito a mim.

Nossa vida era tremendamente tumultuada em razão do telefone, pois ela telefonava porque tinha de resolver o problema de um filho que não tem culpa de haver nascido. Eram berros e palavrões do lado de cá e do lado de lá, e no intervalo ela conseguia dizer o que tinha de ser dito: sua pensão alimentícia, obrigação que não entrava de jeito nenhum na minha cabeça.

Aquele era o quinto dia útil do mês um dia fatídico! Tremendo na base, atendi o telefone já com um berro: "Alôooo!...""Oi, querido, tudo bem?"- responde uma voz macia. "Mas quem tá falando?"- pergunto "É a Vera, Jece". "Mas o que é? Tá doente, Vera?" "Não tô doente, não; eu tô bem". "Como tá bem, Vera?!... Você sempre deu um berro do outro lado. Tô esperando o berro, e não veio!..." "Pois é...Mas agora eu não berro mais não.

Você tá com problema, Jece?" "Claro que tô com problema! Hoje é dia de pagamento, inclusive da sua pensão alimentícia!..." "Ah, querido, a minha pensão, se você não puder mandar hoje, posso esperar "Mas é a Vera Giménez mesmo que está falando? Você só pode estar me gozando... Não é possível!" (Ela já tinha me mandado prender três vezes porque eu atrasara a pensão!) "É, sou eu mesma!" "Mas o que houve, Vera?" "Ah, querido, se você está com problema eu posso ajudar. Conheci alguém, Jece, que fala com o Espírito Santo". "O quê? Você ficou maluca?" "Fala, sim, Jece. Vou lhe dar seu telefone." Talvez para me livrar dela, aceitei que me passasse o telefone, e o anotei. Desliguei e liguei pra lá. Mas o telefone tocou, tocou, e nada: ninguém atendeu. Então pensei: "A Vera ficou louca mesmo: o telefone não existe!..."

Continuei meu trabalho. Meia hora depois ela liga novamente: "Oi, querido. Telefonou?" "Sim, mas esse telefone não existe: ninguém atende." "Então vou te dar um outro telefone: de um líder cristão aqui do Rio." "Não! Cristão, não!" "Mas esse é maravilhoso, Jece. Ele conhece você."

A Vera insistiu tanto que resolvi ligar para ele. Atendeu uma senhora, que me avisou que ele estava almoçando. Quando o pastor ouviu meu nome, interrompeu o almoço e veio me atender.

Ele então falou: "Oi, Jece, qual o problema?" "Não tem problema nenhum, pastor. Foi a Vera Giménez que me disse que ligasse para o senhor. E eu nem sei o motivo por que estou ligando..." "Você é que pensa que não tem problema!" "Oh, pastor, vai agourar a minha vida agora?" "Não, meu filho!

Olha, eu acompanho a sua vida há muito tempo. Você já ouviu falar no espírito devorador?" "Não, nunca fui apresentado!" "Pois há muito ele está grudado em você. Você pode ganhar um milhão ou dez bilhões: ele devora tudo!" "Pastor, se esse espírito está tomando tudo que eu ganho, então o que a gente pode fazer pra dar uma rasteira nele? Vamos derrubar esse cara!" "Posso orar por você, meu filho?" "Pode...Manda brasa, pastor. Reza aí..."

Jece Valadão ao lado de seus filhos

"Antes de orar eu vou lhe dizer uma coisa, Jece: Jesus te ama!" "Que é isso, pastor? Como é que esse cara pode me amar, se o tenho negado a vida inteira? Sempre achei que ele é um ET!" "Não importa, Jece. Jesus está dizendo que te ama, e muito. "Tá bom, pastor. Então começa a oração!"

E o pastor começou a orar. E aquele negócio de 'Jesus te ama' não entrava na minha cabeça, pois se eu não amo alguém, como esse alguém pode me amar?... E o pastor continuando a orar, e orar. De repente a oração começou a me pegar. Subitamente retirei os pés de sobre a mesa, me colocando numa postura mais adequada. E aquele pastor orava com tanto amor, tamanha unção, que sua oração começou a balançar as minhas estruturas, a mexer com meu interior. De súbito me vi chorando como uma criança.

Quando ele acabou de orar e deliguei o telefone continuei a chorar sem parar. De repente fui tomado por uma paz intensa, como jamais sentira. Subitamente senti como se a mão de alguém houvesse aberto uma janela enorme à frente, que sempre estivera ali, mas eu nunca vira. Através dela vi então uma paisagem divina, maravilhosa: Então me disse: "Meu Deus, tô ficando louco!"

Naqueles instantes minha estrutura se esfacelou. Como um castelo de areia, tudo caiu por terra, e me pus a perguntar sobre tudo quanto pensara e em que acreditara a vida inteira.

Fui para casa, e por primeira vez na minha vida, aos 65 anos de idade, abri uma Bíblia. Nunca tivera essa curiosidade. E fui lendo, e lendo, e lendo, cheio de um apetite enorme, chegando à conclusão de que a Bíblia é o melhor livro do mundo.

Foi quando me convidaram a ir a uma reunião da Adhonep, e lá pessoas fizeram um círculo à minha volta e oraram por mim. De repente senti novamente aquela paz que experimentara em meu escritório, e de novo me pus a chorar sem parar. Chegou um ponto em que não suportando mais, disse: "Eu quero esse Jesus!"Abri o coração e Jesus entrou. Que maravilha!

Ao entrar Jesus no meu coração, comecei a pensar de maneira diferente. E me disse a mim mesmo: "Passei 65 anos negando radicalmente a Jesus; agora vou ser mais radical ainda, só que a favor dele. Vou assumi-lo na televisão, num programa de grande audiência, via Embratel. Vou dizer que este pecador é agora filho de Deus; que Jece Valadão é de Jesus.

E foi isso que fiz.impacto foi tão grande que o Senhor me disse que não haveria tempo para me preparar: teria de sair no dia seguinte para levar sua Palavra. Mas isso não é tudo. Apesar de convertido eu continuava com preconceitos terríveis contra o povo de Deus - principalmente quanto a dízimo. Um dia fui a uma reunião da Adhonep e nela foi apresentado um desafio aos presentes: deveriam escrever um pedido sobre algo que julgassem impossível de ser atendido. Ao chegar minha vez, escrevi: "Jesus, estou enfrentando um problema muito sério de umas duplicatas no Bamerindus. Resolve-o. Jece Valadão".


Jece Valadão e sua esposa

Após a oração rasgaram-se os papéis e eu saí dali satisfeito, pensando: "Aqui eu fico: nada de batismo, dízimo ou igreja!" No dia seguinte a minha secretária me avisou: "Sr. Jece, o gerente do Banco Bamerindus quer falar com o senhor". Quando liguei para ele, ele me disse: "Venha para cá, porque o negócio vai melar hoje!"Peguei o carro e fui às pressas até o banco. O gerente-geral nem quis me atender (Quando o vi, notei que disfarçava, me olhando de esguelha). "Qual o problema?"- perguntei. "Suas duplicatas estão vencidas; têm que ser pagas hoje!" "Em quanto está o valor?" "O total é de 90.000 reais.

Acrescentando juros e cálculos podemos fazer em 12.000 reais por mês, em 9 meses." "Mas isso é impossível!"- contestei. "Então vamos acioná-lo." "Você pode me dar 24 horas?"- perguntei. "Tudo bem." Peguei o carro e fui para o escritório. No caminho me lembrei do pedido que fizera a Jesus: "Ô Jesus! Fizemos um trato, e já na primeira vez você falha? Dá um jeito!" De repente me acendeu uma luz: ligar para o ministro da agricultura!

E foi o que fiz, logo ao chegar ao escritório: "Quem fala? Queria marcar uma audiência com o ministro!". Pensei que a moça que atendera dissera "Um minutinho" a fim de anotar alguma coisa. Contudo alguém falou do lado de lá: "Alô!" "Quem está falando?"- perguntei. "É o ministro." "O ministro José Andrade?" [o dono do Bamerindus] "Qual o problema?" "O problema é que lhe estou devendo, e não tenho dinheiro para lhe pagar!" Passaram-se alguns minutos de silêncio absoluto, após o que lhe contei o caso das duplicatas. Então ele disse: "Jece, não vamos perder tempo. Ligue para o banco e peça o telefone do Diretor Regional de São Paulo. Enquanto isso ligo para ele e lhe aviso". "Muito obrigado, ministro." "De nada."

Quando liguei para o gerente regional, já avisado pelo ministro, recebi a comunicação de que teria uma reunião no dia seguinte, às 14 horas. Ao chegar lá o gerente geral me disse: "Qual o problema, Jece?" "Minha dívida com o Banco." Após examinar a papelada ele acrescentou: "Isso está certo. Tem que ser pago". "Concordo, só que numa forma em que eu possa." "Tem alguma sugestão?" "Acho que tenho a solução. Tenho um programa na TV Manchete chamado 'São Paulo On Line', que não tem patrocínio. O programa necessita de patrocínio, e o Banco precisa anunciar e também receber. Podemos fazer uma jogada com isso." "Jece, veio mesmo a calhar! Estava imaginando onde arrumar um programa local para valorizar o cliente regional do Bamerindus! Maravilha!"

Ele me deu a mão, fechou o negócio, e eu paguei toda a minha dívida, sem ter um único tostão! Nunca mais largo esse Jesus!

Ele é tremendo!

Jece Valadão
É empresário, ator consagrado com 106 filmes,
50 peças teatrais e atuação marcante na televisão
e Presidente do Capítulo 675 da Adhonep, na Lapa - SP.