Testemunho
Rodolfo Abrantes(ex- integrante da banda Os Raimundos)
(...) “Estava nesse estado, sozinho, morando em São
Paulo, com uma vida louca, trezentas namoradas por aí espalhadas,
drogas a valer, balada todos os dias, fã de montão,
disco de platina, dinheiro na conta, agenda lotada de shows, e completamente
infeliz.”
(...) ”Eu aceitei Jesus
naquele dia, sabe porquê? Porque Deus dominou o lugar, Deus
dominou o lugar completamente...”
“Jesus estava a caminho
da crucificação, já tinha sido humilhado de
todas as formas, naquele momento faltaram-lhe forças. Um
homem cirineu, chamado Simão, estava vindo do campo, e a
guarda romana o constrangeu para ajudar Jesus a carregar a sua cruz.
(Lucas 23:26).
No ano de 2000, eu estava cheio do que o mundo diz que é
o auge, que é tesouro, que é beleza, fama, dinheiro,
e tudo isso que o mundo pode oferecer para uma pessoa,
e as pessoas se matam por isso.
Eu estava cheio de tudo isso,
mas por dentro eu estava na maior miséria
que eu já enfrentei na vida.
Eu viajei com meu irmão
pra a praia da Pipa para passar um revellion junto com ele e naquele
mês que eu passei com ele eu só sabia falar cinco frases
que eram: ‘vamo fuma’, ‘vamo come’, ‘vamo
chapá’, ‘vamo surfá’ e ‘vo
não’.
Porque quando ele me chamava
para fazer uma coisa diferente dessa eu dizia ‘vo não’.
Em um mês eu falei apenas
cinco frases com meu irmão, de tão drogado que eu
era, de tão infeliz, de tão sem assunto, de tão
vazio, porque ninguém dá o que não tem.
Como é que eu ia falar
alguma coisa, eu não tinha nada!
Eu era seco, vazio, um nada
, um boneco, corpo presente ali. Em qualquer lugar que eu estivesse,
minha cabeça estava em marte. Eu não sabia nem onde
é que estava.
Tem cidades que eu fui que eu nem sabia que tinha ido.
Lesado, completamente drogado.
Estragado. Usava droga desde os treze anos de idade.
Mas Deus viu a minha situação
e sabia que dali em diante eu não
conseguia carregar nada sozinho.
Eu estava morrendo, e com
os sintomas de um monte de doenças no meu corpo.
Por ser filho de médicos
(mãe pediatra e pai ginecologista e obstetra) conheço
um pouco de doença, então sabia que o que tinha no
meu corpo era algo muito sério.
Comecei a emagrecer de uma
hora para outra, e tinha uma dor no estômago
que me corroía todos os dias.
Começou a aparecer
um monte de caroços debaixo do braço que doíam
muito, cheguei a contar nove caroços debaixo do braço,
fora os da virilha que eram enormes, doíam demais.
Eu tinha que tomar dois antiinflamatórios
por dia para poder fechar os braços.
Eu estava em um estado terrível
porque sabia que ia morrer. Ter saúde é uma bênção.
Estava nesse estado, sozinho,
morando em São Paulo, com uma vida louca, trezentas namoradas
por aí, espalhadas, drogas a valer, balada todos os dias,
fãs de montão, disco de platina, dinheiro na conta,
agenda lotada de show e completamente infeliz.
Aí tinha a Alexandra,
que é minha esposa, que ‘estava passando, vindo do
campo’.
Eu a conheci em 1994, e fui
reencontrá-la no ano de 2000.
Deus nos colocou juntos de
uma forma milagrosa pois havia seis anos que tínhamos nos
conhecido e pelo menos uns três que não nos víamos
e eu me reencontrei com ela e nós não nos desgrudamos
mais. Trouxe-a para São Paulo, para morar comigo.
Ela estava mais drogada do
que eu. As drogas que ela consumia eram muito mais fortes
dos que as que eu usava. Mas acontece que a Alexandra tinha uma
coisa dentro
dela que eu não tinha, uma coisa que vale mais do que o mundo
inteiro.
Ela tinha uma semente que
se chama Palavra de Deus dentro do coração dela, porque
aos quinze anos, quando ela me conheceu, ela conheceu a Jesus também.
Só que naquela época
ela não seguiu nem a mim e nem a Jesus. Mas era o suficiente
para saber que Jesus era o auxílio na hora da dificuldade.
Toda vez que
a coisa ficava preta, ela corria para dentro da igreja.
Essa era a mulher que Deus
colocou ao meu lado, uma mulher torta.
Muita gente podia dizer que
essa mulher era pior do que eu.
Mas Deus não faz acepção de pessoas e Deus
escolhe quem quer.
Não interessa se você
é o Presidente da República ou se você é
gari.
Um homem torto, com uma mulher torta. E começamos a brigar
e a nos agredir.
A nossa vida virou um reflexo
de tudo o nós fazíamos: um casal drogado, vivendo
em pecado, na mentira, porque os pais dela nem sabiam que ela morava
comigo.
Lá na casa dos pais
dela podiam falar cão, mas não podia falar Rodolfo.
Hoje minha sogra é uma bênção e trabalha
conosco lá na igreja.
O cenário para o diabo
operar estava completo.
Mas Deus, que é o todo poderoso, começou a mexer as
coisas também.
E a Alexandra começou
a buscar a JESUS e a se encher.
E dizer: Se tu me deres o Rodolfo, eu nunca mais te largo.
E o fogo começou a
aumentar e os capetas tentando apagar através de mim, que
era um saco de demônio, mas Deus estava ali protegendo a brazinha
dela e o foguinho foi pegando e pegou num ponto que consumiu o Rodolfo
no coração dela, ao ponto dela dizer: Senhor, com
Rodolfo ou sem Rodolfo eu nunca mis te largo!
Já não era eu
mais em primeiro lugar, era Jesus aí estava do jeito que
Deus gosta. Deus estava em primeiro lugar, aí Deus começou
a transbordar na vida dela.
Ela convidou umas irmãs
para fazer uma campanha de oração dentro de casa,
porque essas irmãs também foram Cirineu, para ajudar
a Alexandra a carregar
a cruz dela, não pense que ela conseguiu sozinha.
Elas começaram uma
campanha de sete segundas-feiras lá em casa. Eu fugi das
três primeiras, na quarta, Deus me pegou, não teve
jeito.
Eu não queria saber
de crente e achava que era a pior raça, que crente só
servia para tirar dinheiro. ‘Eu sou doido, mas crente é
ainda mais doido, não presta’.
Eu aceitei Jesus naquele dia, sabe porquê? Porque Deus dominou
o lugar, Deus dominou o lugar completamente, eu não sabia
isso na hora, claro.
Hoje eu sei.
Aquelas irmãs chegaram
com simplicidade.
Eu que nunca tinha visto um culto evangélico na minha vida,
o primeiro era um
culto ultra, mega, super pentecostal ao extremo dentro de casa,
dentro da sala em que eu fumava maconha.
Era irmã correndo,
dentro do banheiro todo enfumaçado em que eu tinha acabado
de fumar, estava lá a irmã orando na latinha, numa
latona de maconha que eu tinha a irmã
orava na latinha e era irmã pra tudo quanto é lado.
E eu perguntava: Deus que
negócio é esse? Sabe o que aconteceu?
Deus tomou conta do lugar, Deus tomou conta.
Era a presença de Deus
enchendo aquilo ali. Glória a Deus! Aceitei Jesus naquela
tarde,
meio sem saber o que estava fazendo. Não sei porque eu aceitei
Jesus.
Acho que foi para elas irem
embora. Mas eu aceitei Jesus e Ele entrou e não
teve mais como escapar, Ele entrou.
E quando Ele entrou, começou
a trabalhar, e começou a mexer as coisas.
Passou uma semana, e o Rodolfão estava lá no segundo
culto da vida dele,
dentro de casa, porque eu era tão doido que eu nunca ia pisar
numa igreja, e aí Deus é
tão misericordioso que Ele enfiou uma igreja prontinha dentro
de casa.
Nessa segunda semana, Deus
se revelou para mim dessa maneira a
irmã começou a orar sem eu pedir nada.
Ela começou a orar
e abaixou a mão até a minha barriga e me disse que
Jesus estava
me curando de um câncer para você saber que Ele é
Deus, que Ele te
ama e que Ele tem uma grande obra para fazer na sua vida.
Ela falou que era um câncer
de estômago.
Meu avô morreu de câncer,
dois tios meus morreram de câncer no estômago, duas
tias minha tiveram que arrancar os seios porque tiveram câncer;
era uma maldição que se alastrava na minha família.
Graças a Deus Jesus
Cristo cortou quando chegou em mim.
Naquela tarde a minha dor de estômago desapareceu, e todos
os caroços que eu tinha desapareceram. Passei a engordar,
ceguei a engordar uns 18 quilos, não e uma hora para outra,
fui ficando saudável e engordando, feliz, Jesus foi entrando
em minha vida.
Fui curado, passei a viver apaixonadamente por Jesus e aquelas irmãs
viraram Cirineus em minha vida. Começaram a me ajudar, com
muito amor.
Fomos caminhando. Fui expelido daquela banda como um dente que cariou
e que tem que ser arrancado. Deus me tirou de lá.
Graças a Deus, no momento
certo. Levei muitas pedradas por causa disso, levo até hoje.
Deus tem um treinamento intensivo com quem se coloca à disposição.
Você quer servir a Cristo?
Então te prepara irmão!
É um privilégio maravilhoso sofrer por Jesus Cristo.
Naquele momento os pais da Alexandra que estavam desviados, começaram
a ver a obra, a ver que agente não se drogava mais, que estávamos
noivos, depois nos casamos rapidinho.
Em meu primeiro testemunho, subi no púlpito e comecei a chorar.
Eu só sabia dizer: fui curado e não uso mais droga,
não conseguia falar nada, só chorava.
Eu não entendia mais
nada e pensava: pra falar palavrão no microfone eu falo tão
bem, porque que pra falar das coisas de Deus eu não consigo?
É porque até você se acostumar com o fogo do
altar leva tempo!
É o fogo queimando as impurezas ainda.
Quer ter vitória, anda no caminho do Senhor, obedece.
Hoje eu não bebo não é porque eu não
posso, é porque eu não quero.
Eu quero ter comunhão
com o meu Pai.
Isso vai atrapalhar minha comunhão, então fora! Atitude
inteligente é você andar por um caminho que te leva
pra vida e não em um caminho que te leva pro buraco!
Vai pra vida e você
vai ver que você é feliz sem uma gota de álcool!
Sem um cigarro, sem uma droga, você vai ver que é feliz!
Sem nada dessas porcarias, você vai ver que é feliz
sem nenhuma dessas porcarias! Presença de Deus.
Isso satisfaz o ser humano.”
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