De Dr. Paulo Romeiro
O Novo Espiritismo
A revista Época publicou há
poucas semanas uma reportagem de capa intitulada “O Novo Espiritismo”
(03/07/2006, edição 424, p. 66-74). A revista afirma que
esse novo espiritismo no Brasil tem o rosto da top model Raica Oliveira,
namorada do craque Ronaldo.
É um espiritismo que se distancia dos copos que se movimentam
sozinhos sobre mesas brancas, das operações com canivete
e sem anestesia do médium Zé Arigó e as sessões
de exorcismo coletivo. Segundo a revista, esse novo espiritismo procura
apresentar um lado menos místico e mais racional.

Raica Oliveira
O espiritismo vem crescendo, principalmente entre os jovens de classe
m?dia. No site de relacionamentos Orkut já existem 366 comunidades
sobre “espiritismo” e outras 808 quando se busca a palavra-chave
“espírita”. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística) calcula que o espiritismo tem 20 milhões
de adeptos no Brasil, sem contar os que o professam como segunda religião.
Além de Raica Oliveira, a revista cita outras celebridades que
aderiram ao espiritismo: a atriz Cleo Pires, que herdou a fé
de seu pai, Fábio Júnior e o tenista Gustavo Kuerten.

Gustavo Kuerten
Como explicar a adesão da classe
média brasileira ao espiritismo? De acordo com o artigo, há
três razões principais. A primeira razão é
que a doutrina espírita se baseia num conjunto de idéias
muito bem sistematizado, sendo, portanto, passível de aceitação
racional.
O artigo informa que quando Allan Kardec codificou a doutrina espírita,
deu-lhe um revestimento científico. Essa roupagem racional garante
o sucesso do espiritismo no mundo moderno. É o que afirma o presidente
da Federação Espírita Brasileira, Nelson Masotti:
“Razão e fé não estão em pólos
opostos. Cremos em algo lógico, não místico. Seria
difícil seguir uma religião que não estimula a
discussão e o conhecimento”.
A segunda razão é a flexibilidade da doutrina espírita.
Os novos adeptos desse novo espiritismo são avessos aos fundamentalismos,
hierarquias, exigências na atitude, na forma de se vestir ou cobrança
financeira. Em outras palavras, os adeptos não querem se envolver
com uma fé que exija compromissos, e entre eles, o financeiro.
A terceira e principal razão para
o sucesso do espiritismo no Brasil é a forma como a sua doutrina
trata a questão da morte. Segundo Allan Kardec, é possível,
após a morte, voltar a este mundo muitas vezes para se redimir
dos pecados cometidos nas existências passadas.
Trata-se da reencarnar-se. Morrer e voltar num outro corpo. Tal crença
não é exclusiva do espiritismo. O budismo e o hinduísmo
também apregoam algo semelhante. Pretendo analisar, de forma
sucinta, essas razões, não necessariamente na mesma ordem
em que aparecem na revista.
Compromisso light
Primeiro, a questão sobre a flexibilidade
da doutrina espírita, que não exige compromisso das pessoas.
Não se trata de um privilégio do espiritismo. É
o mal da época. A falta de compromisso, o crescimento da economia
informal, a quebra de contratos (e aqui entra também a multiplicação
dos divórcios), o enfraquecimento da pertença ou filiação
religiosa (chamada de trânsito religioso), mostram como a falta
de compromisso hoje está em alta.
Uma boa parte do mundo evangélico também vive a fé
cristã de acordo com o que for mais conveniente e não
de acordo com o que é correto à luz da Bíblia Sagrada,
a Palavra de Deus. Portanto, isso não pode ser apresentado como
uma característica positiva de fidelidade religiosa.
Ao contrário, homens e mulheres
da Bíblia e muitos vultos ao longo do cristianismo sofreram e
deram as suas vidas pela fé que abraçaram. É o
que declarou o apóstolo Paulo: “Trago em meu corpo as marcas
do Senhor Jesus” (Gálatas 6.17). Ao seu discípulo
Timóteo escreveu: “Participa dos meus sofrimentos como
bom soldado de Jesus Cristo” (2 Timóteo 2.3). Paulo explica
ainda:
“Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos
insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias.
Pois, quando sou fraco é que sou forte” (2Coríntios
12.10). Pedro afirma numa suas cartas que o sofrimento é necessário
(1Pedro 1.6). Entretanto, esses ensinos, revelados por Deus nas Escrituras,
não combinam com o espírito hedonista que tomou conta
da sociedade atual, dominada pelo prazer e egoísmo.
A morte e a vida além
Segundo a revista, uma outra razão
para o sucesso do espiritismo é a sua doutrina de que a vida
não termina na morte, mas é seguida pela reencarnação.
De acordo com o espiritismo, “reencarnar é voltar ao corpo
físico” e que a reencarnação é “o
maravilhoso instrumento que Ele [Deus] nos oferece para a nossa própria
redenção”. [1] No túmulo de Kardec está
escrito o seu lema: “Nascer, morrer, renascer e progredir sempre;
está é a lei”.
Para que serve então a reencarnação?
Segundo o espiritismo, ela serve como um meio de purificação
de pecados e progresso contínuo até a perfeição.
O objetivo da reencarnação é, pois, “expiação,
prova, melhoramento progressivo da humanidade” [2] . O alvo de
cada existência é que o espírito procure redimir
as faltas e os males cometidos na vida anterior: “Toda falta cometida,
todo mal realizado, é uma dívida contraída que
deverá ser paga; se não o for em uma existência
se-lo-á na seguinte ou seguintes...” [3]
Salvação
e reencarnação
É impossível conciliar a doutrina da salvação
e purificação de pecados apresentada na Bíblia
Sagrada com a crença reencarnacionista. Se a reencarnação
for um sistema de expiação, o que estava então
Jesus fazendo na cruz? Estava se divertindo? Ou não sabia o que
estava fazendo ao morrer uma morte tão cruel? Sem dúvida
que não, pois até mesmo o espiritismo o considera o mais
elevado de todos os mestres.
A Bíblia ensina a impossibilidade da reencarnação
ao comentar sobre o tratamento que Deus deu ao povo de Israel no deserto:
“Contudo, ele foi misericordioso; perdoou-lhes as maldades e não
os destruiu. Vez após vez conteve a sua ira, sem despertá-la
totalmente. Lembrou-se de que eram meros mortais, brisa passageira que
não retorna” (Salmo 78.38,39). Sobre uma criança
que nasceu entre a vida e a morte e que depois de alguns dias faleceu,
Davi comentou: “Poderia eu trazê-la de volta à vida?
Eu irei até ela, mas ela não voltará para mim”
(2 Samuel 12.23).
Esses textos mostram claramente que é impossível alguém
voltar à este mundo como ensinam os reencarnacionistas. O apóstolo
Paulo escreveu que tinha desejo de partir (morrer) e estar com Cristo
(Filipenses 1.23) e não de reencarnar. Aos crentes da cidade
de Corinto escreveu: “Temos, pois, confiança e preferimos
estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor” (2 Coríntios
5.8).
As Escrituras Sagradas afirmam abertamente
que Cristo morreu pelos desígnios eternos de Deus ao mencionar
o Cordeiro (Jesus) que foi morto desde a fundação do mundo
(Apocalipse 13.8). Segundo as Escrituras, para ser salvo, é preciso
crer em Cristo (Atos 16.16), nascer de cima, do alto (João 3.3,
5), ser uma nova criatura ou criação (2Coríntios
5.17).
Observe o que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de
Roma: “Se você confessar com a sua boca que Jesus é
o Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou
dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração
se crê para a justiça, e com a boca se confessa para a
salvação. Como diz a Escritura: Todo que nele confia jamais
será envergonhado. Não há diferença entre
judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa
ricamente todos os que o invocam, porque todo aquele que invocar o nome
do Senhor será salvo” (Romanos 10.9-13).
A Bíblia diz com muita clareza
que o ser humano só pode ser perdoado ou purificado dos seus
pecados através da morte e do sangue de Jesus Cristo. O autor
da carta aos Hebreus afirma a importância do sangue e da morte
de Cristo na cruz para a nossa salvação ao escrever: “Portanto,
irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos
Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos
abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo” (Hebreus
10.19, 20).
O apóstolo Pedro também declara que o cristão não
é redimido por meio de coisas perecíveis como prata e
ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha
e sem defeito (1 Pedro 1.18, 19). O apóstolo João afirma
que é o sangue de Jesus que nos purifica dos nossos pecados (1
João 1.7 e Apocalipse 1.5). Há muitos outros textos na
Bíblia que corroboram essa verdade.
Onde entra a reencarnação
em todos esses textos bíblicos, escritos, não por inspiração
de espíritos que nem se sabe de quem são, mas por inspiração
do Espírito Santo, como declarou o apóstolo Pedro: “Antes
de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém
da interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve
origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos
pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.20, 21)?
O espiritismo é racional?
Quanto à doutrina espírita
basear-se num conjunto de idéias muito bem sistematizado, sendo,
portanto, passível de aceitação racional, precisa
de uma resposta. O espiritismo procura firmar-se em três pilares
principais: a comunicação com os mortos, a reencarnação
e a salvação pela prática das boas obras. Todos
esses pilares do espiritismo são condenados pela Palavra de Deus.
Sobre a comunicação com os mortos, veja Deuteronômio
18.11, 12 e Isaías 8.19, 20. A crença na salvação
pela prática das boas obras é amplamente refutada nas
Escrituras. Basta ler Efésios 2.8, 9; 2 Timóteo 1.9 e
Tito 3.5-7. Agora, abraçar a tais doutrinas do espiritismo, claramente
condenadas pela Palavra de Deus, é algo racional?
Mas, há outras questões
intrigantes no espiritismo. Um delas é o ensino de Allan Kardec
de que outros planetas são habitados: “De todos os globos
que constituem o nosso sistema planetário, segundo os Espíritos,
a terra é daqueles cujos habitantes são menos adiantados,
física e moralmente; Marte lhe seria ainda inferior, e Júpiter,
muito superior, em todos os sentidos...
Muitos Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram
estar reencarnados em Júpiter” (O Livro dos Espíritos,
capítulo IV, 188, nota 1). Os espíritos também
ensinaram a Kardec que o planeta Marte não tem qualquer satélite,
que Saturno só tem um anel formado pelo mesmo material do planeta,
e que algumas estrelas como Sírio são milhares de vezes
maiores do que o sol (A Gênese, capítulo VI, 27).
Ao contrário do que os espíritos
ensinaram a Kardec, a ciência já descobriu que Marte possui
dois satélites, que o anel de Saturno não é formado
da mesma matéria do planeta e que Sírio tem um tamanho
entre 13 a 15 vezes maior do que o sol. Tudo isso é racional?
É lógico que não.
Trata-se, então, de espíritos mentirosos. Diante das informações
mencionadas acima, pode-se confiar nos espíritos que influenciaram
e revelaram as doutrinas espíritas a Allan Kardec? A resposta
lógica e racional é não. Se os espíritos
por trás de Allan Kardec não são confiáveis
quando tratam das coisas deste mundo, muito menos o serão ao
tratar de coisas espirituais, coisas relacionadas com a salvação
da alma e com a vida eterna.
Os espíritos também ensinaram
Allan Kardec e outros expoentes do espiritismo como Léon Denis,
a atacar a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Kardec declarou:
“A Bíblia contém evidentemente narrativas que a
razão, desenvolvida pela ciência, não poderia aceitar
hoje em dia” (A Gênese, IV, 6).
Léon Denis afirmou: “Daí segue que não poderia
a Bíblia ser considerada ‘a palavra de Deus’ nem
uma revelação sobrenatural. O que se deve nela ver é
uma compilação de narrativas históricas e legendárias,
de ensinamentos sublimes, de par com pormenores às vezes triviais”.
[4] Ora, usar a Bíblia para formular doutrinas e atacá-la
ao mesmo tempo é racional? Trata-se, no mínimo, de uma
contradição. Seria como namorar uma jovem, desejar casar-se
com ela e difamá-la ao mesmo tempo.
Léon Denis
Quanto à salvação em Cristo, Léon Denis
afirma: “Não; a missão do Cristo não era
resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de
um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual
deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal.
Nada de exterior a nós poderia fazê-lo. É o que
os Espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo”.
[5] Basta comparar essa declaração de Léon Denis
com Atos 20.28 para se constatar o engano do espiritismo: “Cuidem
de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito
Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que
ele comprou com o seu próprio sangue”.
Há muitos textos na Bíblia que demonstram os equívocos
de Léon Denis (veja Efésios 4.13, 15 e Hebreus 9.11-15).
Insistir com Léon Denis é racional? É óbvio
que não.
Como pode alguém afirmar que a
doutrina espírita se baseia num conjunto de idéias muito
bem sistematizado, sendo, portanto, passível de aceitação
racional, pois quando Allan Kardec codificou a doutrina espírita,
deu-lhe um revestimento científico?
Como afirmar que o espiritismo se vale de uma roupagem racional no mundo
moderno se as suas doutrinas são condenadas pela Palavra de Deus?
E por que as pessoas não conseguem perceber isso? A resposta
pode ser encontrada em 2 Coríntios 4.4: “O deus desta era
cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz
do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.
O testemunho das Escrituras Sagradas permanece, afirmando que só
Jesus Cristo pode salvar do pecado e da morte eterna (João 14.6
e Atos 4.12).