|
.:COMO SURGIU A FESTA DE CORPUS CHRISTI?
COMO SURGIU A FESTA DE CORPUS CHRISTI?
Por Natanael Rinaldi
Revista Defesa da Fé - nº 69
O governo brasileiro extinguiu a proibição do trabalho em
grande parte dos dias considerados santos pelos católicos.
Entretanto, um dos feriados religiosos que ainda permanece de pé
é o dia em que se comemora a festa de Corpus Christi (expressão
latina que significa "Corpo de Cristo").
A festa é celebrada anualmente, mas não
tem um dia fixo, ou seja, sua data é móvel e deve sempre
ocorrer numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
Na realidade, a observação da festa
deveria ocorrer na quinta-feira da semana santa, o dia da última
Ceia, mas foi transferida para outra data para que não fosse prejudicada
por causa das celebrações em torno da cruz e da morte de
Jesus Cristo, na sexta-feira santa.
ORIGEM DAS COMEMORAÇÕES
Tudo começou com a religiosa Juliana de Cornellon,
nascida na Bélgica, em 1193. Segundo alegou, teve insistentes visões
da Virgem Maria ordenando-lhe a realização de uma grandiosa
festa.
Juliana (mais tarde Santa Juliana) afirmava que a festa seria instituída
para honrar a presença real de Jesus na hóstia, ou seja,
o corpo místico de Jesus na Santíssima Eucaristia.
Ainda quando era bispo, o papa Urbano IV teve conhecimento dessas visões
e resolveu estendêla à Igreja Universal, o que então
já era uma verdadeira festa.
Pela bula "Transituru do Mundo", publicada em 11 de agosto de
1264, Urbano IV a consagrou em todo o mundo, com uma finalidade tríplice:
- Prestar as mais excelsas honras a Jesus Cristo
- Pedir perdão a Jesus Cristo pelos ultrajes
cometidos pelos ateus
- Protestar contra as heresias dos que negavam a
presença de Deus na hóstia consagrada
NO BRASIL
No Brasil, a festa de Corpus Christi chegou com
os colonizadores portugueses e espanhóis. Na época colonial,
a festa tinha uma conotação político-religiosa.
É que dias antes das procissões, as câmaras municipais
exigiam que as casas de moradia e de comércio fossem enfeitadas
com folhas e flores.
Na época, quando o Brasil ainda era uma colônia, participavam
da procissão membros de todas as classes, incluindo os escravos,
os leigos das ordens terceiras e os militares.
Durante muitos anos, o entrosamento do povo com o governo, e vice-versa,
foi praticamente completo.
Um exemplo que comprova esse fato ocorreu em 16 de junho de 1808, quando
D. João VI acompanhou a primeira procissão de Corpus Christi,
realizada no Rio de Janeiro.
AS PROCISSÕES
O que marca a festa de Corpus Christi são
as procissões, quando ocorrem as ornamentações das
ruas com tapetes feitos de vários tipos de materiais, como papel,
papelão, latinhas de bebidas, serragem colorida, isopor, etc.
Desenhos são elaborados nessa ornamentação com as
figuras de Jesus, do cálice da Ceia e da Virgem Maria.
Utilizam-se toneladas de materiais para formar os tapetes vistosos e admirados
pelos que acompanham as procissões.
O MAIS IMPORTANTE
O momento mais solene da festividade de Corpus Christi
é quando o hostiário, onde estão depositadas as hóstias
ainda não consagradas, é conduzido nas procissões
por um líder da alta hierarquia católica.
No momento em que o hostiário passa, um silêncio profundo
é observado por todos os presentes e, de uma extremidade a outra,
tocasse a sineta que anuncia a passagem do cortejo. As reações
das pessoas são as mais variadas.
Algumas se comovem ao extremo e choram, outras se ajoelham diante do hostiário.
De ponto em ponto, há uma parada, quando, então, se entoam
cânticos tradicionais.
Segundo a liderança romana, as ornamentações são
feitas para que o Corpo de Cristo possa passar por um local digno, para
ser visto por todas as pessoas.
Representa uma manifestação pública da fé
na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.
EUCARISTIA
Ensinando sobre a Eucaristia, diz a Igreja Católica: "A Eucaristia
é um Sacramento que, pela admirável conversão de
toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda
a substância do vinho no seu precioso sangue, contém verdadeira,
real e substancialmente o corpo, o sangue, a alma e a divindade do mesmo
Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e
de vinho, para ser nosso alimento espiritual".
Ensina, ainda, que na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que
se encontra no céu. Esclarece também que essa mudança,
conhecida como transubstanciação, "ocorre no ato em
que o sacerdote, na santa missa, pronuncia as palavras de consagração:
'Isto é o meu corpo; este é o meu sangue'''.
O catecismo católico traz uma pergunta com relação
ao Sacramento da Eucaristia nos seguintes termos: "Deve-se adorar
a Eucaristia?". E responde: "A Eucaristia deve ser adorada por
todos, porque ela contém verdadeira, real e substancialmente o
mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor".
O QUE DIZ A BÍBLIA?
Os católicos procuram justificar a festa de Corpus Christi com
a Bíblia citando partes dela que supostamente dão base para
o dogma da Eucaristia.
Os textos mais freqüentemente usados são os de Mateus 26.26-29;
Lucas 22.14-20 e João 6.53-56.
Essa doutrina é contrária ao bom senso
e ao testemunho dos sentidos: o bom senso não pode admitir que
o pão e o vinho oferecidos pelo Senhor aos seus discípulos
na Ceia fossem a sua própria carne e o seu próprio sangue,
ao mesmo tempo em que permanecia em pé diante deles vivo, em carne
e osso.
É manifesto que Jesus, segundo seu costume, empregou uma linguagem
simbólica, que queria dizer: "Este pão que parto representa
o meu corpo que vai ser partido por vossos pecados; o vinho neste cálice
representa o meu sangue, que vai ser derramado para apagar os vossos pecados".
Não há ninguém, de mediano bom senso, que compreenda
no sentido literal estas expressões simbólicas do Salvador.
A razão humana não pode admitir tampouco o pensamento de
que o corpo de Jesus, tal qual se encontra no céu (Lc 24.39-43;
Fp 3.20-21), esteja nos elementos da Ceia.
Biblicamente, a Ceia é uma ordenança
e não uma Eucaristia; era empregado o pão e não a
hóstia; é um memorial, como se lê em 1 Coríntios
11.25,26, e sua simbologia está em conformidade com o método
de ensinamento do Senhor Jesus, que usou muitas palavras de forma figurada:
"Eu sou a luz do mundo" (Jo 8.12); "Eu sou a porta"
(Jo 10.9); "Eu sou a videira verdadeira" (Jo 15.1). Quando Jesus
mencionou na última Ceia os elementos "pão" e
"vinho", não deu qualquer motivo para se crer na transubstanciação.
Não se engane, adorar a Eucaristia também
é um ato de idolatria!
|