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Cristão e a eutanásia ( 1 )
Embora possa parecer que a tecnologia
moderna até certo ponto criou o dilema da eutanásia, a verdade
é que muitas civilizações antigas praticavam tanto
a eutanásia ativa quanto a passiva, principalmente nos doentes,
nos recém-nascidos defeituosos e nos idosos.
As filosofias da Grécia e de Roma idealizavam o suicídio
como uma forma nobre de morrer.
Até mesmo o assassinato
não era condenado em todas as sociedades antigas, e muitas vezes
os doentes eram abandonados para morrer ou para se virarem sozinhos.
Aliás, na época do Novo Testamento a sociedade romana normalmente
valorizava o ser humano somente conforme sua posição social,
nacionalidade, etc.
Em contraste, quando esteve no mundo Jesus Cristo demonstrou, de muitas
maneiras, um padrão de vida bem diferente dos valores sociais da
época.
Ele vivia em obediência à Palavra de Deus, que ensina que
o ser humano foi criado conforme a imagem de Deus.
A Palavra de Deus também contém leis que condenam o assassinato
(Gênesis 1.26; 9.6; Êxodo 20.13).
Jesus confirmou a validade dos ensinos do Antigo Testamento sobre a questão
do assassinato e ainda levou esse princípio mais adiante (Mateus
5.21-22).
Ele não só se opunha ao diabo que mata, mas também
destruía suas obras que matam.
Os Evangelhos mostram Jesus curando, até mesmo das piores doenças,
muitos homens e mulheres das mais baixas condições sociais.
Ao descrever o Dia do Juízo,
a Bíblia diz que o Rei Jesus dirá para as pessoas que vivem
conforme Deus acha certo:
"Venham, vocês que são
abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que, desde a
criação do mundo, foi preparado pelo meu Pai.
Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede,
e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam nas suas casas.
Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim.
Estava na prisão, e foram me visitar". (Mateus 25.34-36 BLH)
Essas pessoas de bom coração,
sem entender o que Jesus queria dizer, perguntam:
"Senhor, quando foi que o vimos
com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água?
Quando foi que vimos o senhor como estrangeiro e o recebemos nas nossas
casas ou sem roupa e o vestimos?
Quando foi que vimos o senhor doente ou na prisão e fomos visitá-lo?"
(Mateus 25.37-39 BLH)
Essa revelação é
importante para quem quer agradar a Deus.
Em resposta, Jesus mostra o que acontece quando obedecemos a essa revelação:
"Eu afirmo que, quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos
meus irmãos, de fato foi a mim que fizeram". (Mateus 25.40
BLH
Os cristãos do passado e a eutanásia
Jesus fez essa revelação importante para
cristãos que viviam numa época em que a sociedade romana
aceitava a eutanásia e o aborto.
Nos primeiros três séculos depois da morte e ressurreição
do Senhor Jesus, os cristãos praticavam esse ensino sem hesitação.
Os primeiros cristãos não seguiam os valores "éticos"
das sociedades em que viviam. Eles seguiam os valores éticos do
Reino de Deus.
Henry Sigerist, respeitado historiador de medicina da Universidade Johns
Hopkins, descreve a transformação que o Cristianismo produziu
então:
Para os gregos do quinto século
antes de Cristo e para [as gerações] que vieram depois,
a saúde era considerada o bem mais elevado…
O homem doente, o aleijado ou o fraco só poderiam esperar consideração
da sociedade enquanto seu estado de saúde tivesse condições
de melhorar.
A melhor maneira de proceder para com os fracos era destruí-los,
o que era feito com frequência…
Coube ao Cristianismo a responsabilidade
de introduzir a mudança mais revolucionária e decisiva na
atitude da sociedade para com os doentes.
O Cristianismo veio ao mundo como uma religião de cura… O
[Evangelho] tinha como alvo os pobres, os doentes e os aflitos e lhes
prometia cura e restauração, tanto espiritual quanto física.
O próprio Cristo não havia realizado curas?
Essa nova atitude inspirou os ensinamentos
e atividades do Cristianismo no Império Romano. Os primeiros líderes
cristãos, inclusive Policarpo (70-160), Justino Mártir (100-165),
Tertuliano (160-220) e Jerônimo (345-419), incentivavam os cristãos
a cuidar dos doentes.
A partir de então, os cristãos se tornaram conhecidos por
sua disposição de tratar de pessoas doentes, inclusive de
vítimas de pestes, que eram abandonadas pela sociedade.
Os historiadores Darrel W. Amundsen e Gary B. Ferngren observam: "Os
primeiros hospitais vieram a existir, no quarto século, por causa
da preocupação dos cristãos com todas as pessoas,
principalmente os mais necessitados, pois o ser humano tem a imagem de
Deus".
A Bíblia ensina que o ser
humano foi criado conforme a imagem de Deus e que Jesus morreu para salvar
toda a humanidade.
Esse ensino inspirou os primeiros cristãos a ter um grande respeito
pelo valor e dignidade da vida humana.
Eles não só cuidavam dos doentes, mas também denunciavam
práticas sociais romanas como aborto, assassinato de recém-nascidos,
eutanásia e suicídio.
"A verdade é que nós, cristãos, não temos
permissão de destruir o que foi concebido na barriga de uma mulher,
pois o homicídio é proibido", assim escreveu Tertuliano
no segundo século.
Além do aborto, que era muito
praticado, a sociedade romana também achava normal matar crianças
indesejadas ou abandoná-las a morrer expostas ao sol, chuva, noite,
etc. Amundsen e Ferngren comentam:
"Depois de sua legalização no quarto século,
o Cristianismo aos poucos foi introduzindo importantes mudanças
no clima moral do mundo romano.
Começando com Constantino, os sucessivos imperadores cristãos
aprovaram leis com o objetivo de proteger os recém-nascidos.
Contudo, a influência mais importante não veio das leis do
Império, mas dos Concílios da Igreja, que condenaram o aborto,
o assassinato de recém-nascidos e o abandono deles para morrer".
Os primeiros líderes cristãos,
de Justino Mártir a Agostinho de Hipona (354-430) assumiram um
posicionamento igualmente forte contra a eutanásia. Agostinho afirmou:
"Os cristãos não têm autoridade de cometer suicídio
em circunstância alguma.
É importante observarmos que em nenhuma parte da Bíblia
Sagrada há mandamento ou permissão para cometer suicídio
com a finalidade de garantir a imortalidade ou para evitar ou escapar
de algum mal. Aliás, temos de compreender que o mandamento ‘Não
matarás’ (Êxodo 20.13) proíbe matar a nós
mesmos".
É evidente que Agostinho
estava se referindo também à eutanásia.
Por exemplo, para refutar a idéia social de que o suicídio
é um meio normal de acabar com as dores e aflições
do corpo, Agostinho citou passagens bíblicas sobre nossa responsabilidade
de aguardar o céu com paciência (Romanos 8.24-25), e afirmou:
"aguardamos ‘com paciência’, precisamente porque
estamos cercados pelos males que a paciência deve tolerar até
que cheguemos aonde… não mais haverá nada para tolerar".
Poucos sabem que Agostinho enfrentou
uma seita cristã no Norte da África que apoiava a idéia
do suicídio como uma forma de martírio voluntário.
Essa seita via o suicídio como uma maneira de entrar mais rápido
na presença de Deus. Essas idéias não são
totalmente rejeitadas hoje.
Muitos cristãos espiritualmente mal orientados nos EUA e na Europa
cedem à tentação de permitir que a eutanásia
seja aplicada num membro da família, sob a alegação
de que o apressamento da morte os fará ficar com Deus mais rapidamente.
Alguns, para não enfrentar a realidade do que estão fazendo,
até citam passagens de Paulo: "A vida para mim é Cristo,
e a morte é lucro".[2]
Os cristãos do passado e o sofrimento
Os filósofos da época viam o sofrimento
como um mal a ser evitado a todo custo, e não é sem razão
que ninguém achava anormal um doente grave cometer suicídio
para fugir do sofrimento.
Mas Agostinho era fiel à idéia bíblica de que a vida
aqui na terra representa somente uma fase até chegarmos à
eternidade, onde viveremos para sempre com Deus ou sem ele.
Como usar o suicídio como solução para fugir do sofrimento
humano e depois evitar na eternidade o Deus que tem autoridade de decidir
o destino de nossa vida?
No caso do cristão, Jesus
várias vezes avisou seus seguidores de que eles sofreriam perseguição
(Mateus 5.10-12; Marcos 10.28-31; João 15.20).
As cartas dos apóstolos indicavam o sofrimento físico como
um meio de teste, cujo resultado final seria maturidade espiritual e capacidade
de resistir melhor aos ataques do diabo (Romanos 5.1-5; Hebreus 12.7-11;
Tiago 1.2-8; 5.10-11; 1 Pedro 4.12-13).
Em sua carta à igreja da cidade de Corinto, Paulo descreveu seu
próprio sofrimento: "O sofrimento que suportamos foi tão
grande e tão duro, que já não tínhamos esperança
de escapar de lá com vida. Nós nos sentíamos como
condenados à morte. Mas isso aconteceu para nos ensinar a confiar
não em nós mesmos e sim em Deus, que ressuscita os mortos".
(1 Coríntios 1.8-9 BLH)
Paulo não se desesperava
ao ponto de acolher a idéia do suicídio, porque "ainda
que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se
renovando dia a dia.
E essa pequena e passageira aflição que sentimos vai nos
trazer uma enorme e eterna glória, muito maior do que o sofrimento.
Porque nós não fixamos a nossa atenção nas
coisas que se vêem, mas nas que não se vêem.
O que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser
visto dura para sempre". (2 Coríntios 4.16-17 BLH)
O Império Romano se desmoronou
logo após a morte de Agostinho em 430, e a Europa entrou na Idade
Média.
Nesse período, que durou aproximadamente mil anos, houve muitas
guerras e o sistema social e econômico ruiu, piorando assim as condições
de saúde e sobrevivência das populações. De
541 a 767, dezesseis pestes bubônicas varreram a Europa.
Em meio aos graves sofrimentos humanos, os cristãos se apoiavam
na Palavra de Deus para enfrentar seus sofrimentos individuais.
Bede, líder cristão
inglês desse período, escreveu vários relatos de doenças
e sofrimento.
Alguns relatos apresentavam pessoas dedicadas a Deus sendo sobrenaturalmente
curadas por Deus, outros descreviam pessoas morrendo rapidamente ou sofrendo
anos antes de morrer — mas todos entregavam o controle de suas vidas
a Deus: "Por isso os que sofrem porque esta é a vontade de
Deus devem, por meio das suas boas ações, confiar completamente
no Criador, que sempre cumpre as suas promessas". (1 Pedro 4.19 BLH)
Para encorajar e cultivar a fidelidade
a Deus no meio das circunstâncias difíceis, Bede usou o exemplo
do Bispo Benedito, que sofreu uma prolongada doença terminal: "Durante
três anos, Benedito aos poucos foi ficando tão paralisado
que da cintura para baixo estava tudo sem vida".
Apesar do longo tempo de sofrimento que sua doença lhe causou,
Benedito sempre procurava "se ocupar louvando a Deus e ensinando
os irmãos".
Doenças fatais dolorosas
como a doença que fez o Bispo Benedito sofrer tantos anos de agonias
eram comuns durante a Idade Média, por causa da falta de medicamentos
e tranqüilizantes eficientes.
Apesar disso, nenhum cristão procurava apressar a própria
morte a fim de escapar das dores de uma doença terminal.
Eles preferiam se entregar totalmente aos cuidados de Deus.
Basicamente, o pensamento depois
da Reforma era esse também. Os cristãos se entregavam sempre
a Jesus, não às doenças.
A Eutanásia e as igrejas de hoje
Enquanto hoje muitas igrejas americanas
e européias se encontram mergulhadas em idéias e práticas
fora dos princípios bíblicos e até apóiam
a morte para as pessoas mais oprimidas e indefesas, muitas igrejas nos
países menos ricos estão vivendo uma realidade diferente:
muitos milagres estão ocorrendo através da visitação
do Espírito Santo.
Essas igrejas são instrumento de salvação, perdão,
restauração, cura e libertação e é
isso mesmo que as pessoas oprimidas recebem quando lá vão.
O Evangelho é inimigo da doença, não do doente, e
apresenta um Jesus vivo que mata a doença, não o doente.
Talvez os cristãos de países como o Brasil precisem lembrar
aos cristãos dos países ricos o motivo por que Jesus veio
ao mundo: destruir as obras do diabo, não destruir as pessoas que
são oprimidas por ele.
O fato é que as igrejas que
se abrem para um forte contato com Deus, principalmente na área
da cura espiritual, física e emocional, conseguem verdadeiramente
abençoar a vida das pessoas.
Mas igrejas que não têm esse tipo de abertura correm o risco
de acabar se abrindo para outros tipos de "solução"
para o problema do sofrimento humano.
Enquanto as igrejas cristãs
dos países ricos estão ocupadas tentando descobrir se o
casamento homossexual e o aborto são opções bíblicas,
igrejas de países pobres, com toda sua simplicidade, estão
cheias de testemunhos de salvação, cura e libertação,
pelo simples fato de que as congregações são encorajadas
a buscar a Deus com fé e se abrir para a visitação
do Espírito Santo.
É fácil ver que uma fé verdadeira não tem
espaço para a perspectiva do mundo que tolera a eutanásia.
Muitas vezes missionários americanos e europeus voltam para seus
países de origem e contam o que Deus faz no campo missionário,
grandes bênçãos e milagres que raramente eles vêem
na própria pátria.
Geralmente, embora reconheçam
que há o momento de "partir para Jesus", cristãos
mais simples e fiéis a Deus sabem que a melhor maneira de encarar
o sofrimento é buscando a Deus com todas as forças e tomando
posse das promessas da Palavra de Deus.
A característica mais marcante de muitos cristãos em países
pobres, principalmente onde há muita perseguição,
é forte confiança no poder de Deus para restaurar a saúde
e à vezes desconfiança dos médicos.
Esse tipo de desconfiança é saudável num aspecto:
mantém o cristão afastado dos problemas e dilemas do aborto
e eutanásia que atingem os médicos.
Ainda que ocorram muitos milagres entre os cristãos de países
menos desenvolvidos, a abertura ao poder sobrenatural do Espírito
Santo não está limitada a eles.
Cristãos de diferentes denominações, às vezes
das igrejas mais tradicionais nos países ricos, experimentam visitações
incríveis de Deus.
Mas essas visitações têm sido muito mais freqüentes
nos países onde há mais perseguição ao Evangelho.
A verdade é que os cristãos
fiéis à Palavra de Deus têm dificuldade de ver a morte
como um meio de fugir do sofrimento.
Eles vêem a morte como o "último inimigo", não
como uma amiga. A morte é conseqüência do pecado e o
cristão deve resisti-la, não abraçá-la.
O pastor presbiteriano Paul Fowler escreve com relação ao
aborto: "Os temas da vida e da morte aparecem em toda a Bíblia
como alvos totalmente contrários.
Deus é o Criador da vida. A morte é a perda da vida que
Deus criou".
Quem tem o direito de tirar a vida inocente?
Ainda que não tivesse promessa
alguma na Palavra de Deus para nos ajudar no sofrimento, ainda assim o
cristão fiel respeitaria e honraria o que Deus diz:
"Não mate". (Êxodo
20:13 BLH)
"Maldito seja aquele que matar
outro¼ à traição!¼ Maldito aquele que
receber dinheiro para matar uma pessoa inocente!¼" (Deuteronômio
27:24,25 BLH)
"Ele [o homem perverso] se
esconde¼ e mata pessoas inocentes". (Salmo 10:8 BLH)
"Existem sete coisas que o
Deus Eterno detesta e que não pode tolerar: ¼mãos
que matam gente inocente¼" (Provérbios 6:16-18 BLH)
Além do testemunho da Palavra
de Deus, há também o testemunho de cristãos sinceros.
O Rev. G. Campbell Morgan (1863-1945) comentou sobre o mandamento de não
matar. Ele diz:
QUEM TEM O DIREITO DE TERMINAR A VIDA?
Deus é soberano sobre a vida
de cada pessoa.
Esse é o alicerce mais importante da estrutura social. A Palavra
de Deus mostra claramente que a vida humana é sagrada. Deus a criou
de maneira misteriosa e magnífica em seu começo e possibilidade,
completamente além do controle da compreensão dos seres
humanos…
A revelação que Deus
fez ao homem prova que ele tem um propósito para toda pessoa e
para a raça humana… Terminar uma só vida é
colocar a inteligência e sabedoria do homem acima da sabedoria de
Deus.
As questões da morte são
tão imensas que não há pecado contra a humanidade
e contra Deus que seja tão grave quanto o pecado de tirar a vida.
Esse breve mandamento declara a primeira lei fundamental acerca da vida
humana, tão clara e vital que exige atenção máxima.
A vida é um presente que
Deus deu… Esse mandamento, pois, com palavras muito simples, mas
de maneira severa, envolve a vida de cada ser humano com uma gloriosa
Lei.
Dá somente a Deus o direito de terminar a vida que ele deu.[3]
Perguntaram ao evangelista Billy
Graham: "Por que tantas pessoas são contra a idéia
de ajudar no suicídio de uma pessoa que tem uma doença crônica
e está sem esperança de recuperação? Parece
uma boa opção, e eu mesmo não ia querer continuar
vivendo se estivesse nessa situação".
Graham, então com 81 anos de idade, respondeu: "O motivo principal
é que foi Deus quem nos deu a vida, e só Ele tem o direito
de tirá-la.
A vida é um presente sagrado de Deus. Não estamos aqui simplesmente
por acaso.
Foi Deus quem nos colocou aqui.
Assim como Ele nos colocou aqui, só Ele tem a autoridade de nos
levar embora, e quando tomamos essa autoridade em nossas mãos,
violentamos Seus propósitos cheios de sabedoria. Não se
deve destruir a vida arbitrariamente".[4]
Agostinho disse:
Nenhuma pessoa deve infligir em
si mesma morte voluntária, pois isso seria fugir dos sofrimentos
do tempo presente para se atirar nos sofrimentos da eternidade ¼
Nenhuma pessoa deve acabar com a própria vida a fim de obter uma
vida melhor depois da morte, pois quem se mata não terá
uma vida melhor depois de morrer.[5]
Paganismo nas igrejas
O motivo por que muitas igrejas
cristãs dos países ricos estão se fechando para os
mandamentos de Deus e se abrindo para idéias a favor do aborto,
eutanásia e homossexualismo é a volta do paganismo.
Quando pensamos na palavra pagão, o que surge na mente? Imaginamos
pessoas da antiguidade que adoravam árvores? Essa noção
está fora de moda.
Conforme diz o Dr. Robert George, da Universidade de Princeton, o termo
"pagão" agora se aplica melhor aos americanos e europeus
ricos bem estudados de hoje — inclusive muitos que vão à
igreja.
A definição de paganismo
de George foi apresentada num encontro do Toward Tradition, um grupo que
reúne judeus ortodoxos e cristãos conservadores.
Ele disse que o paganismo não está confinado ao passado,
onde povos primitivos ofereciam sacrifícios ao sol. Para ele, a
tentação de adorar falsos deuses é permanente e constante.
A essência do paganismo é
a idolatria — a adoração de deuses falsos no lugar
do único Deus verdadeiro. Mas, lamentavelmente, muitos cristãos
modernos caem em práticas pagãs e nem mesmo percebem, e
alguns até freqüentam igrejas que realmente as promovem.
Como sabemos que os europeus e americanos
se paganizaram? George diz que há um teste a prova de falhas: "Os
deuses falsos exigem o sangue dos inocentes.
Quando há o assassinato de pessoas inocentes e justas¼ não
é o Deus de Israel que se está adorando". Mas os deuses
falsos dos pagãos modernos são ainda mais sanguinários.
"Hoje", George diz, "as crianças antes do nascimento,
na hora do nascimento e os recém-nascidos defeituosos são¼
sacrificados aos deuses falsos da escolha, autonomia e liberação.
Eles são sacrificados em altares de aço inoxidável,
por sacerdotes em roupas cirúrgicas". E os defensores da eutanásia
e do suicídio com ajuda médica são seus irmãos
na fé.
Em contraste, George observa, os
cristãos fiéis¼ adoram o Senhor da vida — o
Deus que dá a todos os seres humanos (por mais humildes e pobres
que sejam) — uma dignidade sublime". É por esse motivo
que "a vida de toda pessoa inocente é¼ de, maneira
igual, inviolável sob a lei moral".
Os pagãos modernos —
inclusive a maioria dos cristãos e judeus secularizados —
escondem sua ideologia pagã num disfarce de honestidade e boas
ações.
Eles falam de compaixão, até mesmo quando desculpam seu
apoio ao aborto legal e à eutanásia.
Na verdade, o que eles estão adorando não é o Deus
de compaixão, mas os falsos deuses que trazem morte.
É fato histórico que
toda civilização que sacrifica crianças aos deuses
se condena à destruição.
A Bíblia descreve como até grandes impérios desabaram
porque derramaram sangue inocente. Alguns anos atrás, um americano
visitou uma senhora cristã na Índia e perguntou o que ele
poderia fazer para ajudá-la.
Ela respondeu: "Volte para os Estados Unidos e ajude a deter a matança
dos bebês inocentes. Apresse-se, enquanto há tempo, ou o
seu país sofrerá o juízo de Deus".
É importante que saibamos
discernir o que está acontecendo nos EUA e Europa, pois devido
a ensinos e práticas antibíblicas muitas igrejas americanas
e européias apóiam os sacrifícios pagãos sem
sentir peso na consciência.[6]
Igreja e sociedade
É importante também
compreender que nenhuma sociedade fica parada.
Todas as sociedades costumam mudar de direção.
Ou avançam para mais perto dos padrões que estão
de acordo com os princípios estabelecidos por Deus, ou se afastam
deles.
Em Mateus 5, o Senhor Jesus nos
deu a missão de ser o sal da terra e a luz do mundo.
É a responsabilidade de todos os cristãos influenciarem
a sociedade com os princípios de Deus. Se não fizermos isso,
a sociedade se afastará mais e mais dos padrões de Deus.
Se deixarmos de influenciar a sociedade, há o risco de que as igrejas
cristãs sejam influenciadas pelo mundo.
O mundo dará o exemplo e a direção e as igrejas seguirão
o mundo e seus padrões.
A outra possibilidade é que
ainda que permaneçam firmes, se as igrejas deixarem de influenciar
a sociedade, a sociedade aos poucos vai se afastar das igrejas.
Então o mundo achará as igrejas mais estranhas em seus valores
e costumes.
Esse distanciamento deixará as igrejas tão isoladas socialmente
quanto uma ilha solitária no meio do oceano Pacífico.
Quando isso chega a acontecer, o que ocorre em seguida é que os
cristãos acabam sendo chamados de extremistas, fundamentalistas
ou radicais quando tentam defender valores importantes.
Tal é o que vem ocorrendo com relação ao aborto,
homossexualismo, eutanásia, etc.[7]
Uma das questões mais importantes
que devemos considerar é de que maneira o assassinato de pessoas
inocentes, através do aborto legal e da eutanásia, pode
afetar negativamente a sociedade.
Deus diz: "Portanto, não profanem com crimes de sangue a terra
onde vocês vivem, pois os assassinatos profanam o país.
E a única maneira de se fazer a cerimônia de purificação
da terra onde alguém foi morto é pela morte do assassino".
(Números 35:33 BLH) Nessa passagem, Deus indica que se a sociedade
não tomar medidas sérias contra o assassinato de pessoas
inocentes, o derramamento desse sangue poderá abrir brechas espirituais
para os demônios espalharem maldições e morte pela
sociedade, inclusive elevada criminalidade e guerras.
O Bispo Robson Rodovalho diz: "Ondas de homicídios, acidentes
de trânsito, estupros, desempregos e outras tragédias semelhantes
são ondas que têm origem em ações demoníacas".
[8]
A Igreja de Jesus Cristo conhece
realidades espirituais e terrenas que precisa transmitir e aplicar na
sociedade.
Mas de que modo os cristãos, como igreja e indivíduos, podem
realmente fazer uma diferença na sociedade em questões como
o aborto e a eutanásia? Intercedendo pelas pessoas envolvidas e
confrontando as forças espirituais, as leis e as tendências
sociais que as favorecem.
O Bispo Robson afirma: "Quando há realmente esse ministério
de intercessão e confrontação, haverá evangelização.
É aí que o poder do Evangelho precisa moldar, transformar
e fazer a diferença da cultura". [9]
© Copyright 2005 Julio Severo. Proibida a reprodução
deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio
Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela
Editora Betânia. E-mail: juliosevero@hotmail.com
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