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Christian Hosoi Hosoi na Bola de Neve O dia foi corrido, logo pela manhã
na coletiva de imprensa abordei o lendário Hosoi, me apresentei
para ele e fiz um convite para visitar à Igreja Bola de Neve,
para honra e glória de Deus, Tarobinha já havia tido enviado
um e-mail para ele e naquele mesmo momento ele apareceu e reforçou
o convite ao Hosoi que aceitou, combinado, me pegam as 19h, disse Hosoi. A decorrer do dia Otávio Neto fez um convite para o Hosoi visitar a Pista de São Bernando do Campo para uma matéria com a ESPN. Enfim, ficamos no local da MegaRampa até o horário combinado e Hosoi nada de aparecer, liguei para o Tarobinha e ele disse que iria passar no hotel novamente, fui para o culto com meu amigo Uriel Punk, pois algumas pessoas já estavam por lá na espectativa. Examente às 20h em ponto o Tarobinha me ligou e disse, estou com ele aqui no carro e já estamos chegando. A felicidade veio ao peito, pois sabia que o resultado daquilo seria ver muitos jovens emocionados com a presença de Hosoi transmitindo a palavra do altíssimo. Tarobinha chegou com Hosoi, eu estava
na porta com o Rodrigo Maizena, entramos e o Taro falou com alguns dos
pastores, o Dudu, e então ficou tudo combinado e logo depois
que o pastor Catalau passou alguns recados para o público, ele
chamou Tarobinha ao palco para apresentar Christian Hosoi à galera
que não o conhecia. Para quem não conhece Christian
Hosoi, Jay Haizlip e Brian Sumner fazem um trabalho muito interessante,
o The Uprising é um trabalho de evangelização que
eles fazem nos EUA, e com isso trazem muitos jovens skatistas, surfistas,
entre outros, para o ministério de Deus. A culto terminou e tive a sensação
de vitória, pois sabia que a minha meta tinha sido cumprida.
Após o final do culto, conversei rapidamente com Hosoi e disse
a ele, que tinha uma meta de ve-lô pregando no altar da Igreja
Bola de Neve e que hoje eu tinha realizado e ele me agradeceu com um
aperto de mão. Se a palavra “estilo” pudesse ser personificada no mundo do skate, ela teria a cara e o jeito de Christian Hosoi. Nos anos 80, ficaram históricas as homéricas batalhas travadas entre ele e Tony Hawk nos campeonatos por todo o mundo; se por um lado Hawk sempre vinha armado com um verdadeiro arsenal de manobras cada vez mais complicadas, as quais raramente errava, Hosoi fluía num misto de graça e agressividade, que tornava qualquer rampa pequena, tivesse o tamanho que fosse. “Manobras X estilo” era a verdadeira disputa, e uma coisa eu garanto – Christian quase que só perdia quando errava alguma coisa. E isso tudo tendo como competidores monstros como Steve Caballero, Mark “Gator” Rogowski, Mike McGill e Jeff Phillips, só pra citar alguns... Primeiro pro de destaque a vir ao Brasil
– país que ele ama e cuja 1ª visita causou tumultos
há 20 anos atrás -, “Holmes” chegou até
a batizar uma de suas manobras registradas com o nome do símbolo
mais conhecido de nosso país pelo mundo, o “Christ Air”,
em homenagem ao Cristo Redentor – uma das Sete Maravilhas do Mundo
Moderno, de acordo com a National Geographic. Sua ligação
com o país se estreitou quando ele teve por aqui uma divisão
de sua marca Hosoi Sktbrds, que chegou a patrocinar alguns dos melhores
skatistas do país na época como PorQuë?, Thronn,
Bruno Brown e Skilo, sem falar que chegou até a ter um pro model
de tênis lançado pela Redley que, por muitos anos, foi
padrão de qualidade no meio dos skate shoes. Livre da cadeia e liberto das drogas, casado e pai do pequeno Rhythm e do futuro Classic, e hoje em dia um convertido ao Cristianismo que dá palestras sobre o tema, Christian está de volta pra onde ele nunca deveria ter saído – em cima de um skate, detonando e fazendo queixos caírem. Não é à toa que o documentário sobre sua vida, “Rising Son”, recebeu o maior número de pré-pedidos de filmes de toda a história do mercado de skate; afinal, quem não gostaria de ver mais sobre a história de um ícone vivo? O hoje comentarista de redes como ESPN e eterna lenda viva do skate concordou, após uma longa negociação, a dar uma entrevista exclusiva pra TRIBO Skate realizada pelo bom Héverton Ribeiro enquanto esse último estava na Califórnia. Uma condição foi exigida: que nenhum assunto ficasse de fora. Temos o privilégio de apresentar esse mito chamado Christian Rosha Hosoi. Vamos começar pelas suas raízes, no Marina Del Rey Skatepark. Seu estilo foi aperfeiçoado pelo pico? O estilo era algo que eu via nas revistas e tudo o mais. Meu pai era surfista, e surfar era o que eu fazia de mais legal, antes mesmo de entender direito as coisas. Morávamos no Havaí e pegávamos onda direto até eu ter uns seis ou sete anos. Voltamos pra Califórnia quando eu tinha oito anos e comecei a ver as antigas Skateboarders, com Jay Adams, Shoggo Kubo, Tony Alva e todos os caras das revistas. Foi aí que comecei a ver esses caras direto e o que era o skate de verdade, que não era só o que se via nas revistas. Eles eram românticos, acreditavam que o skate tinha um estilo diferente de tudo até então, que era divertido andar e que poderia se viver disso também. Meu pai sempre me apoiou. Ele começou a se aproximar da galera da pista por minha causa, começou a trabalhar lá por mim, também. O mais natural era que eu ficasse lá a maior parte do tempo. Onde mais você andava? Upland, no Pipeline antigo. Se lembra
dele, né? Os Albas na Combi Pool original, era um show! Também
no Big O, Del Mar, picos em San Diego... Onde desse pra andar, lá
eu estava no meio da galera. Não tinha quase grana envolvida
no skate naquela época. Você foi patrocinado por grandes marcas de skate, como Powell Peralta, Dogtown e Sims, antes de ter sua própria marca. O que te fez começar a Hosoi Skates? Eu andava pra essas marcas todas e um dia fiquei pensando em como seria ter a minha. A idéia nasceu desse jeito e a marca foi criada assim. Não teve planejamento ou algo pensado anteriormente. Simplesmente aconteceu. Você também tinha patrocínio de marcas como Converse e Swatch, sem falar que você era a cara do skate da Jimmy’Z. Isso te fez ser um dos skatistas mais bem pagos da época, senão o mais bem pago. Como lidava com seu dinheiro? Naquela época, o que ganhava, gastava na mesma velocidade. Curtia com os amigos, saía direto pras baladas, gastava com roupas e pra manter o meu estilo de viver. Eu dei uma festa pra 3.000 pessoas no meu 21° aniversário, bancava viagens da galera pro Havaí... Você foi um dos caras mais copiados do mundo do skate; o estilo, as roupas e até o cabelo. Até incentivou alguns skatistas a usar shorts de lycra! (risos) Como você lidava e lida com todo esse hype em torno de seu nome? Não ligava a mínima, e
até hoje não ligo a menor. Estava só vendo eu mesmo,
me expressando através das roupas e tudo mais, não queria
mais ninguém alem de mim mesmo. A Jimmy’Z tinha esses shorts
que eram legais pra surfar ou ficar na praia; eram confortáveis
pra andar de skate e comecei a adaptar pra mim o que recebia e depois
a dar idéias de algumas peças. E as batalhas épicas entre você e Hawk em tantos campeonatos? Vocês eram opostos não só no modo de andar de skate, mas em estilos de vida também. Como lidavam com isso? Quando você esta vivendo naquele
cenário, não fica pensando naquilo tudo. Já tinha
todo mundo ao redor pra ficar imaginando como era entre eu e ele, como
eram nossas vidas. Eu estava vivendo a minha vida, sendo eu mesmo. Uns
gostavam de mim, outros gostavam do Tony. Eu gostava muito dos campeonatos,
a gente se divertia muito, andávamos com nossas galeras e éramos
muito competitivos. Qual foi o melhor campeonato dessa época? Hmmm... Alguns foram muito bons, como os de Anahein, o Holiday Havoc, a Battle of Del Mar Skate Ranch (onde derrotei o Hawk no quintal dele). Cada um (de 1982 a 1985) teve sua importância pra época. Teve aquele grande da Vision, com show do Red Hot Chili Peppers. Foi um evento monstruoso, do qual se falou por um bom tempo. Estavam quase todos os meus amigos de North Hollywood, meus pais e minha família. Foi o maior evento durante anos. São minhas lembranças mais marcantes. Também nunca esqueço as viagens pro Brasil. Dei uma demo numa rampa em Ipanema (1986), também curti muito Guaratinguetá. Você começou a vir
pra cá no pico de sua popularidade. Depois, você teve uma
empresa aqui também, com uma equipe e tudo mais. Seus negócios
no Brasil foram como esperava? Era incrível, porque fui tantas vezes ao Brasil e me sentia tão bem aí que resolvi ter uma equipe com alguns dos skatistas incríveis locais. A Redley depois começou a fazer os tênis, eu fui com o Mick Alba, o Reategui, o Ventura, depois o Pat Ngoho. Deixei os negócios rolarem e chegaram a ir bem por um tempo, mas minha maior preocupação era me divertir e curtir com os amigos. Os negócios estavam bem encaminhados, por isso não me preocupava. Seria certo dizer que a recessão no skate o levou à depressão? Não, pois o skate para mim era diversão. Eu era patrocinado, convivia com grandes skatistas, viajava, fazia snowboard, tinha a piscina do Chicken... A gente ainda vivia o sonho; o problema era que eu não vivia por algo maior, por um propósito. Só o que eu fazia era existir. A partir do momento em que eu me toquei que fui criado com um propósito, caí em mim. Eu sou significativo, posso fazer a diferença e tive de chegar a essa conclusão sentindo na própria pele, acho que no primeiro dia de prisão. Eu ainda pensava: “como é que uma coisa dessas foi acontecer comigo? Porque estou preso?”. Custou a cair a ficha, sabe como é? (risos) Sua vida virou pelo avesso por causa da prisão por posse de drogas. Você teve alguma vez a sensação de que tinha que passar por isso? Não, jamais, por que Jesus Cristo
meu libertou e disse que na Bíblia que “aquele que decidir
ser livre, será”. A liberdade sendo algo que me modifique
totalmente, que me ajude a não mais cair de novo. Eu digo com
toda a alma que não tenho o menos desejo pelas coisas erradas;
ainda há quem me pergunte: “como você pode saber
se não vai se envolver com drogas, ou fumar um baseado de novo?”.
Fale um pouco sobre o “Rising Son”, que reuniu os esforços de amigos, como o Block e o Dennis Hopper. O filme é incrível e foi desde o momento que Block chegou com o projeto. Minha esposa Jennifer foi a grande responsável por fazer com que se transformasse em realidade, ligando pras pessoas e pedindo sua colaboração, documentando depoimentos quando eu ainda estava preso. O Dennis quis fazer a locução do filme, ainda ajudou muito nos bastidores. Todos os esforços reunidos acabaram se transformando num trabalho fabuloso. Quando você e sua família vêm no Brasil? Eu achei que vocês iam nos convidar! (risos) Estou sempre disponível pra ir, é só chamar que a gente vai! (risos) Fiquei sabendo que o Chicken foi pra um campeonato de slalom, podemos planejar algo pra quando ele voltar, ok? |
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