| Sérgio
Izecksohn
Muito têm evoluído os sistemas de gravação
de áudio.
No princípio, gravava-se toda a orquestra ou banda reunida, monofonicamente
(em um único canal).
Ou seja, gravação e mixagem eram uma coisa só, ocorriam
no mesmo momento.
Havendo algum erro por parte de um dos músicos, tudo precisava
ser regravado.
Depois, veio a gravação estéreo, e daí em
4, 8, 16 e 24 pistas, nos gravadores analógicos de rolo.
Surgiu aí a técnica do playback, a gravação
em separado das partes de um arranjo. Mais recentemente, com o advento
do áudio digital, entraram em cena os gravadores em fita de vídeo,
com 8 pistas, como o ADAT, e gravadores digitais de rolo.
A nova tendência é o áudio gravado diretamente para
o disco rígido de um computador. Através de uma interface
(placa) de som e um programa, o micro passa a ser o próprio estúdio
de gravação.
Primeiro surgiram programas dedicados exclusivamente à gravação
de áudio no hard disk, em geral com 8 pistas, como o Pro Tools,
para o Mac, e o Session 8, para Windows, ambos da Digidesign.
Nos últimos anos, uma nova opção ganha cada vez mais
força, principalmente nos home studios: os programas que conjugam
gravadores de som e seqüenciadores MIDI, como o Digital Performer,
o Studio Vision (Mac), o Cubase Audio, o Logic Audio, ambos para Mac e
Windows, e o mais popular de todos, o Cakewalk Pro Audio (Windows).
Com um programa como esses, em um PC multimídia, o usuário
dispõe de um estúdio de gravação com muitos
recursos de edição, junto a um poderoso seqüenciador
de teclados MIDI.
No Cakewalk, por exemplo, usando qualquer placa de som, pode-se gravar,
em cada track, um canal de áudio (voz, instrumento elétrico
ou acústico) ou um canal MIDI de instrumentos eletrônicos.
Para isso, basta selecionar a fonte sonora (MIDI ou áudio) com
o mouse, na coluna apropriada do programa.
Os dois sistemas de gravação, de áudio e MIDI, trabalham
sincronizados e unidos, como se fossem uma única tecnologia.
No entanto, são dois sistemas independentes: um seqüencia
(registra e ordena) informações sobre a performance do músico
nos teclados e baterias eletrônicas, com baixo consumo de memória,
e depende de hardware externo, como sintetizadores, samplers e bateria
eletrônica; o outro é um gravador de som multipista que usa
o HD como meio, ao invés de uma fita, convertendo os sinais de
áudio em dados digitais, consumindo um grande espaço em
disco.
Para o home studio de nível básico, esta revolução
significa que, dispondo-se de um PC com uma placa Soundblaster, geralmente
usada para sonorizar jogos, basta instalar um programa como o Cakewalk
Pro Audio para ter um porta-estúdio digital e um seqüenciador
MIDI sem custos adicionais.
O estúdio de nível intermediário pode usar uma placa
de som Turtle Beach ou Roland, que aceitam maior número de pistas
de áudio e conferem melhor qualidade sonora.
O estúdio avançado usa a mesma versão do software,
com uma placa Audiomedia III, da Digidesign, e um hard disk SCSI, mais
rápido que o IDE.
Conexões e recursos de edição de áudio. Para
se gravar o áudio, usa-se a entrada Line In da placa de som.
A fonte sonora é conectada à mesa de som, e endereçada
até a placa, por um cabo de áudio.
Na ausência da mesa, pode-se ligar um microfone na entrada Mic da
placa de som. Através da placa e do programa, os sons são
registrados no HD.
Para se reproduzir o áudio, liga-se a saída Line Out da
placa às entradas da mesa, ou se monitora diretamente nas caixas
de som do kit multimídia, ligadas à saída Speaker.
O número de canais e pistas de gravação, 2, 4, ou
8, é limitado apenas pela placa de som, não pelo programa.
Cada pista de áudio possui várias ferramentas de edição,
que vão desde o recurso de cortar, copiar e colar trechos gravados,
até processadores e efeitos sonoros on board, como equalizadores
e reverberadores, sejam recursos do programa ou da placa de som.
Ë possível, por exemplo, copiar a voz do refrão de
uma música e fazer repetir o trecho em outras partes dessa música.
Recursos do seqüenciador MIDI.
O seqüenciador é a função original desses programas.
Embora contem hoje com recursos de gravação de áudio,
edição de partituras etc., todos eram sequencers nas suas
primeiras versões.
Através das conexões MIDI, presentes nos instrumentos e
na maioria das placas de som, controlam os sintetizadores, samplers, baterias
eletrônicas, e até processadores de efeitos, mesas e gravadores
automáticos.
Os teclados, por exemplo, são literalmente tocados por ele, que
“aprende a música” quando o instrumentista a executa
ou a escreve com o mouse.
O programa permite que se editem todas as partes da música com
enorme liberdade, como repetir trechos, mudar timbres, andamentos, tons,
acrescentar ou retirar notas etc.
A quantização corrige automaticamente imprecisões
no ritmo tocado pelo músico.
O seqüenciador executa ‘ao vivo’ os instrumentos eletrônicos,
tornando desnecessário o registro de seu áudio em um gravador
multipista, porque os dois sistemas, seqüenciador e gravador, trabalham
sincronizados.
Assim, os teclados se reúnem ao áudio gravado (voz, instrumentos
acústicos e elétricos) na mesa de som, sendo gravados, ainda
em 1a geração, somente na mixagem.
O uso do seqüenciador sincronizado ao gravador multipista expande
em muito os recursos e os canais do estúdio, seja este pequeno
ou grande.
Vantagens do seqüenciador com áudio incorporado.
Essas novas versões dos programas, como o Cakewalk Pro Audio, dispensam
o gravador multipista externo.
Toda a gravação e o seqüenciamento são feitos
no computador.
Além disso, a gravação de áudio conta com
os recursos de edição já citados, inexistentes nos
gravadores de fita, como o ADAT.
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