Microfones
- Noções e Aplicações |
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| A
concepção deste manual é simples. Primeiro, apresentaremos
uma visão geral das características técnicas dos
microfones: como eles operam, como são seus padrões de captação
acústica, e também suas características elétricas.
Nossa prioridade para este estudo
são os auditórios e igrejas, uma vez que tais aplicações
são variadas o suficiente e, por analogia, podem ser estendidas
a outras situações de captação de voz.
1. Como funcionam os microfones |
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![]() Figura 1 |
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Os
microfones que usam o princípio do capacitor variável são
conhecidos como microfones capacitivos ou “condenser” (o termo
condensador vem da terminologia eletrônica antiga). O microfone capacitivo consiste de uma placa fixada muito próxima ao diafragma, como mostra a Fig.2. Entre a placa e o diafragma é mantida uma carga elétrica polarizada, de forma que quando o diafragma se move sob a influência das ondas sonoras, a voltagem entre ele e a placa varia da mesma forma. |
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![]() Figura 2 |
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Atualmente,
na maioria dos microfones capacitivos a polarização é
obtida por meio de um eletreto, uma camada pré-polarizada, localizada
na placa ou então atrás do próprio diafragma. Os microfones profissionais de alta qualidade geralmente usam polarização externa. A Fig.3 mostra a vista em corte de um microfone capacitivo pré-polarizado, com o material polarizante (eletreto) localizado na placa. |
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![]() Figura 3 |
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Todos
os microfones capacitivos possuem um pré-amplificador localizado
junto ao diafragma, necessário para converter a alta impedância
do elemento capacitivo variável a um valor adequadamente baixo,
para que o sinal possa ser facilmente transmitido sem perda significativa
através de um cabo comum.
Alguns microfones pré-polarizados
são alimentados diretamente por uma bateria de 9 volts, como mostrado
no diagrama da Fig.3, mas quase todos os microfones capacitivos são
alimentados externamente por uma fonte de 48 volts em corrente contínua,
chamada de “phantom power”, que é fornecida pela mesa
de mixagem ou outro tipo de equipamento onde o microfone pode ser conectado
(pré-amplificador, etc). A característica mais fundamental de um microfone é seu padrão de captação tri-dimensional. Talvez 90% de todos os microfones estejam dentro de duas categorias: omnidirecionais e cardióides. Os microfones do tipo cardióide
são, basicamente, unidirecionais, e existem três variações:
cardióide, hiper-cardióide, e super-cardióide. 1.1.1. Omnidirecional A Figura 4 mostra o padrão
omnidirecional numa representação em duas dimensões
conhecida como padrão polar (A), e também numa representação
tri-dimensional (B). |
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![]() Figura 4 |
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O
padrão omni é obtido restringindo a entrada do som no microfone
a um único ponto na frente do diafragma. Por causa disso existe pouquíssima distinção quanto à direção em que o som incide, e assim o microfone responde igualmente aos sons vindos de todas as direções. Nas freqüências muito altas há uma tendência à captação maior pela frente, mas na maioria das aplicações isso é irrelevante. 1.1.2. Cardióide A Figura 5 mostra os detalhes do microfone do
tipo cardióide. |
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![]() Figura 5 |
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Para
fontes sonoras localizadas no eixo do microfone (“on-axis”),
isto é, com ângulo de incidência de 0°, o som que
entra pela frente sempre chega antes do som que entra por trás,
pois ele atravessa um caminho mais curto (Fig.5A), e por isso é
captado pelo microfone. Para uma fonte sonora localizada atrás
(180°) do microfone, os dois sons que chegam ao diafragma são
opostos e iguais, e assim se cancelam (Fig.5B).
Na construção do microfone é usada uma resistência acústica para assegurar que os caminhos pela frente e por trás fiquem iguais para o caso de sinais que incidem a 180° do eixo. Para posições intermediárias,
a resposta irá variar, como mostra o diagrama polar na Fig.6A.
Na Fig.6B é mostrada uma representação tri-dimensional
do padrão cardióide. |
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![]() Figura 6 |
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A
estrutura interna de um microfone cardióide é muito mais
complexa do que a de um microfone omni, e é tomado um cuidado muito
grande no projeto do caminho por trás para que o cancelamento para
fontes a 180° seja uniforme na maior gama possível de freqüências. |
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![]() Figura 7 |
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O
gráfico da Fig.7 mostra um ótimo exemplo de microfone cardióide,
medido em 0°, 90°, e 180°.
Como se pode observar, a rejeição em 180° é da ordem de 20 a 25 dB na faixa de freqüências médias, mas a ação cardióide diminui tanto nas freqüências muito baixas quanto nas muito altas. 1.1.3. Hiper-cardióide e super-cardióide Estes tipos são variações
do padrão cardióide básico, e podem ser muito úteis
em certas aplicações. Se o caminho por trás é
levemente alterado, pode-se variar o ângulo no qual a captação
é mínima. Vejamos algumas diferenças importantes existentes entre os microfones com captação omnidirecional e os com captação cardióide. 1.2.1. Omnidirecionais Um microfone com padrão hiper-cardióide
pode ser usado a uma distância 2 vezes maior do que o omnidirecional
para produzir um mesmo resultado, e um microfone com padrão super-cardióide
pode ser usado a uma distância 1,9 vezes maior. |
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![]() Figura 8 |
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•
O “efeito de proximidade” é ao mesmo tempo uma bênção
e uma desgraça. Muitos cantores adoram a ênfase dos graves
que se obtém quando seguram o microfone cardióide muito
perto da boca, e por isso jamais pensam em usar um microfone omnidirecional. Por outro lado, o efeito de proximidade faz o microfone cardióide ser muito sensível a ruídos pelo seu manuseio e aos efeitos do vento. A Fig.9 mostra o efeito de proximidade típico com um microfone cardióide: a resposta de freqüências é mostrada para distâncias de operação desde 7,5 cm até 30 cm. Esse microfone foi projetado para ter uma queda de resposta a baixas freqüências de acordo com o aumento da distância, de forma que o efeito de proximidade restaure as baixas freqüências quando o microfone é posicionado mais próximo. Muitos dos microfones indicados para voz são projetados dessa maneira, de forma a poderem causar um pequeno reforço quando usados próximos à boca. |
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![]() Figura 9 |
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•
Em aplicações normais de sonorização, o padrão
cardióide oferece imunidade extra à realimentação
(microfonia), embora talvez nem sempre tão próximo dos 4,8
dB mencionados no item 1 acima.
• Como podemos ver, os padrões hiper-cardióide e super-cardióide oferecem uma pequena melhoria em relação ao cardióide em termos de imunidade a sons aleatórios. Embora o engenheiro de gravação possa preferir o cardióide comum por seu ponto nulo em 180°, o engenheiro de sonorização geralmente prefere o super-cardióide e o hiper-cardióide pelo seu maior alcance. Ao abrir mais o lóbulo posterior (180°) na resposta direcional (veja representação dos padrões na Fig.8B), o padrão frontal fica mais “justo” do que no cardióide comum. Isso pode também ser útil no palco, onde dois ou mais cantores podem estar bastante próximos um do outro. Os gráficos da Fig.8C mostram os ângulos nominais de aceitação (±3 dB) oferecidos pelos microfones de padrão cardióide. 1.3. Características elétricas dos microfones AKG Nesta seção discutiremos cinco itens que têm a ver com o aspecto elétrico do microfone: impedância, sensibilidade, nível de ruído intrínseco, ponto de saturação, e alimentação. 1.3.1. Impedância De acordo com a tendência
atual, os microfones capacitivos da AKG possuem impedância interna
da ordem de 200 ohms, enquanto os dinâmicos possuem impedâncias
que variam de 200 a 800 ohms. Os microfones de alta impedância já foram muito usados em aplicações onde as distâncias são muito curtas, mas atualmente não há vantagens para seu uso, até porque os pré-amplificadores de baixa impedância de alta qualidade caíram de preço drasticamente. 1.3.2. Sensibilidade Para medir a sensibilidade de um
microfone, ele é colocado num campo sonoro de referência
recebendo um nível de pressão sonora de 94 dB SPL com freqüência
de 1.000 Hz. |
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MODELO
TIPO SENSIBILIDADE dBV C414B/ULS capacitivo (multi-padrão) 12,5 mV/Pa -38 C480, CK61 capacitivo (multi-cápsula) 20 mV/Pa -34 C535EB capacitivo (vocal/instrumento) 7 mV/Pa -43 C3000B capacitivo eletreto (2 padrões) 25 mV/Pa -32 D3800 dinâmico (vocal) 2,8 mV/Pa -51 D770 dinâmico (vocal/instrumento) 2,5 mV/Pa -52 D58 dinâmico (cancelamento de ruído) 0,72 mV/Pa -63 Obs.: A equação para converter de mV/Pa para dBV é: dBV = 20 log (mV/Pa) - 60 |
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Embora
a faixa de variação total mostrada na tabela seja de cerca
de 25 dB, levando-se em conta o uso recomendado para cada um dos modelos,
a média da voltagem de saída provavelmente não variará
tanto.
Os três modelos dinâmicos, por exemplo, são indicados para uso próximo à fonte sonora, o que resultará uma maior voltagem média de saída. Da mesma forma, os quatro modelos capacitivos podem ser usados em gravações clássicas e posicionados no estúdio a até cerca de 5 metros da fonte sonora. Isso significa que as voltagens efetivas de saída para todos os tipos de microfones tenderá a valores muito próximos. Na verdade, esta é uma consideração importante no projeto de um modelo de microfone. 1.3.3. Nível de ruído intrínseco O ruído intrínseco
de um microfone capacitivo é o nível de ruído audível
que ele produz quando é colocado isolado de fontes sonoras externas.
Os microfones dinâmicos não
têm especificação de ruído intrínseco,
pois este depende da sensibilidade do microfone e do circuito eletrônico
ao qual ele está acoplado. 1.3.4. Ponto de saturação O limite máximo efetivo do
nível de pressão sonora que um microfone pode suportar é
o valor no qual o sinal de saída do microfone começa a apresentar
uma determinada quantidade de distorção harmônica.
No caso dos microfones dinâmicos,
as especificações de saturação em geral indicam
o nível sonoro que produz distorção harmônica
de 1% e 3%. Na maioria das aplicações envolvendo captação de voz para comunicação e sonorização, pode-se ignorar essas limitações, mas em estúdios de gravação e em sonorização de música, com microfones posicionados muito próximos de instrumentos com volume alto, podemos facilmente atingir níveis da ordem de 130 dB. 1.3.5. Ruído de manuseio Muitos microfones antigos feitos
para se segurar na mão eram muito suscetíveis a ruídos
de manuseio. 1.3.6. Alimentação Todos os microfones capacitivos
necessitam de algum tipo de alimentação elétrica,
pois contêm dentro deles um circuito eletrônico de pré-amplificação.
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![]() Figura 10 |
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