.:A luthieria a caminho do novo milênio - Parte 1
 
O termo luthieria se refere à arte da construção e da manutenção de instrumentos musicais. A palavra é de origem francesa. Da Europa Ocidental passando pela Oriental e difundindo-se pelo mundo, sua evolução é sincrônica com a própria história da Música.
A luthieria hoje é sinônimo de necessidade real de músicos, técnicos e apreciadores de música e instrumentos musicais. Nos Estados Unidos, a quantidade de artesãos e instrumentos feitos à mão é absolutamente grande e abrangente, muito em função da qualidade do mercado e da

tradição na cultura musical do país. Respira-se música e a disponibilidade de equipamentos beira a perfeição.

O ''vintage'' - adjetivo dado ao instrumento considerado ''clássico'', pela história que carrega - convive harmonicamente com o ''high-tech'', numa reciclagem espantosa.

Sempre existirá mercado para o instrumento feito à mão. Já a produção em massa ou em série estimula o mercado de manutenção e reparos.

Nele, novas tecnologias somam-se a velhos truques e a luthieria dá o golpe de misericórdia.

Afinal, o que seria dos instrumentos personalizados se não existissem as séries regulares, a produção em massa das Gibsons e Fenders? E vice-versa.

A América do Norte é a grande vitrine que conduz as tendências e modas pelo mundo todo, e onde até equipamentos e luthiers almejam a luz do reconhecimento.

Na Europa, a tradição dos instrumentos acústicos de orquestra mostra toda a verdadeira arte da construção, da habilidade manual, das sonoridades conseguidas e da força das pequenas oficinas e ateliês.

O mercado é uma fusão de influências e a cena musical é tão rica em informações técnicas que artesãos e músicos deitam e rolam…

No Oriente, temos duas vertentes.

A terra do sol nascente é o ''high-tech'' em sua plena concepção e, atualmente, o paraíso dos instrumentos ''vintages''.

Assim como na cena urbana, onde o novo está sempre convivendo em paz com o antigo, o Japão mostra a santa paciência dos artesãos e a sabedoria do toque sutil com detalhes que só eles sabem fazer.

Toques que fazem e consertam instrumentos em um mercado musical acirrado e que, mesmo com personalidade reservada, mostra sua cara ao mundo com criatividade e força de influência.

Outra vertente oriental é a produção dos países baixo-asiáticos, furacão que já vem varrendo o mundo e que, apesar do baixo custo, mostra um nível técnico cada vez melhor.

Em breve, os instrumentos produzidos nestes países darão menos dor de cabeça aos luthiers.

No Brasil, a informação técnica está cada vez mais ao alcance de todos. A Internet tem deixado o mundo menor e a luthieria no Brasil vai caminhando em direção ao melhor referencial.

Para o novo milênio - que só começa em 2001, mas que já nos mostra sua cara - a luthieria indica que os músicos não querem somente a sonhada técnica e o feeling para tocar.

Querem o mínimo necessário para poderem exercer a luthieria ocasional, mas vital, como os músicos japoneses, aliás os melhor capacitados para tal.

O novo milênio coincide com a revolução do ''faça-você-mesmo'', estendendo-se para o conserte-você-mesmo ou construa-você-mesmo.

Não há exemplo melhor do que os home-estúdios, que terminam com o monopólio dos estúdios profissionais. No mesmo sentido, o MP3 rompe com o monopólio da veiculação.
A luthieria também está aí, ao alcance de todos.

A procura ilimitada pelo timbre ideal e pelo instrumento perfeito continua. Porém, menos árdua, mais fácil.