
Acústico
(Dj Alpiste)
Análise feita por Roberto Azevedo
“Ser ou não ser, ter ou não ter razão,
alguma coisa esta mudando no seu coração”. A
Banda que se chamava Atos 2 e que mais tarde mudaria de nome e passaria
a ser conhecida nacionalmente como Kadoshi, se apresentava em todo
o Brasil e DJ Alpiste mostrava para o país o seu ministério:
Ministrar o evangelho através do rap.
Hoje com 4 cds lançados e participação
mais que especial nos cds do FLG, Renascer Praise, Templo Soul,
etc... Alpiste grava o primeiro cd acústico de rap nacional.
(A MTV gravou o Marcelo D2 acústico em data posterior, porém
lançaram primeiro no mercado).
A capa traz fotos da gravação.
Na ficha técnica temos o inconfundível (desta vez
acústico) baixo de Ted (Renascer Praise, que acompanha Alpiste
desde a gravação do 3º cd – O peso da palavra).
Nos teclados Dudu Borges que produz Alpiste desde o cd anterior
– Fanático. Na bateria Cleverson e o violão
de Guto. Nos vocais e. Beilli, Silveira e Jadiel. A banda é
a banda. Beiram a perfeição. O repertório é
um desfile pela carreira de Alpiste, porém muitas músicas
ficaram de fora. O ideal mesmo seria um álbum duplo.
Alpiste abre lembrando seu primeiro rap que
fez sucesso nos tempos de Kadoshi, na verdade ela não chega
a cantar o rap, fica apenas no refrão, mas aproveita para
apresentar a banda. E que banda.
Faixa título do quarto cd, “Fanático”
dá início a festa. Musicalmente falando o quarteto
baixo, batera, teclado e violão começam a “quebrar
tudo” a partir desta faixa e só param na última.
A letra faz uma afirmação ao fato de Alpiste se posicionar
como “Servidor do Messias incondicional” e que devemos
fazer o mesmo.
“Vencer o mal” foi gravado no
segundo cd – Efésios 6:12. No original Alpiste era
acompanhado por Robson Nascimento e foi sucesso nas rádios
aqui do Rio até entre os não evangélicos. A
intro de piano Rhodes atacando nos graves e respondendo nos agudos
é tão original quanto excêntrica, mas é
só Alpiste atacar com sua reflexão sobre o bandido,
filho de mãe crente que se converte que a intro vira do passado.
Membro da banda Sexto Selo, Preto Jay divide
os vocais com Alpiste em “Guerreiro do Senhor”. A música
aborda vários assuntos. Destaque para a segunda estrofe onde
Alpiste faz uma critica consciente contra a banalização
da mídia através de programas como Big Brother e Casa
dos Artistas. A letra é uma obra prima.
“Eu vejo uma luz” também
foi gravado no segundo cd – Efésios 6:12. No original
Alpiste era acompanhado por Maurílio Santos. Em um momento
Alpiste parece relembrar sua juventude e seus amigos que já
não estão mais vivos. Não sei se a letra é
biográfica, mas relata alguém inconformado com as
fatalidades da vida “Dinheiro é o nome do jogo. Se
você não tem você é como um tolo. Infelizmente
assim caminha a humanidade. Seja bem vindo a realidade”. Mas
que no final descansa na paz que só Cristo pode oferecer.
A partir daí começa a seqüência
de 3 músicas do primeiro cd – Transformação.
Com a honrosa e dificultosa missão
de substituir Tina, temos a segunda participação da
gravação. Jamily Zeidan divide os vocais com Alpiste
em “Depois do casamento”, que retrata um diálogo
entre um casal, onde o cara quer ter algo mais intimo com sua namorada
e usa como argumento o sentimento que existe entre eles, mas a garota
mostra que uma coisa não tem nada haver com a outra, ela
até gostaria, mas prefere esperar o casamento por causa do
seu compromisso assumido com Deus.
Em “Amigos” Jadiel sai do back
e divide os vocais com Alpiste. O teclado no fundo é um caso
a parte.
Partindo pro charme, é a vez de Silveira
sair do back e dividir os vocais com Alpiste em “Cristo Satisfaz”
e “Amor” (uma versão do Montell Jordan). A letra
das duas músicas nos desperta para a suficiência de
Cristo em nossa vida. Alpiste aproveita para ministrar a platéia
sobre o amor de Deus.
“Louvado seja” é a musica
que passa mais intensidade. É também a musica onde
o violão tem mais influencia, cadenciando a música
do início ao fim. É um rap cantado sobre uma base
do que aqui no Rio chamamos de suingue, muito usado pelo cantar
secular Bebeto. O groove do baixo e o refrão são de
um original do próprio Bebeto. Ao vivo deve ter sido muito
bom.
“Na quebrada” é outra música do quarto
cd – Fanático. Conta com a participação
do grupo de rap santista Gods Power. Em alguns momentos fica um
pouco enjoativa, pois fica repetindo o tempo todo a expressão
“minha quebrada” e outras palavras que rimam com a mesma.
Essa não da pra ouvir toda hora, mas não compromete.
DJ Alpiste ficou conhecido nacionalmente
desde a época do Kadoshi, mas alcançou projeção
nacional mesmo em seu segundo cd, especialmente na faixa “Inimigo”,
onde ele canta em primeira pessoa, como se fosse o próprio
diabo. Aqui no acústico recebeu uma versão mais leve,
bem mais pop em relação a versão original.
Ficou legal, mas particularmente, eu prefiro a original. É
mais densa. Às vezes dá até “medo”.
Fechando o cd “Cidade nua” é
mais uma critica contra nossa sociedade materialista que dá
mais valor ao ter do que ao ser. E pior ainda, que nos convence
a sempre querer ter mais. Que nos convence em sempre estarmos insatisfeitos
com o que temos e somos.
Seria redundante falar que o instrumental
está o tempo todo atrás quebrando tudo, piano grooveando
com baixo. Baixo grooveando com bateria. Todo mundo grooveando junto.
E tem também as convenções. E que convenções.
Que coisa.
Faixas:
1. Intro - Ser Ou Não Ser
2. Fanático
3. Vencer o Mal
4. Guerreiro do Senhor
5. Eu Vejo Uma Luz
6. Depois do Casamento
7. Amigos
8. Cristo Satisfaz
9. Amor
10. Louvado Seja
11. Na Quebrada
12. O Inimigo
13. Cidade Nua
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